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sexta-feira, 12 de junho de 2009

ivan de carvalho junqueira - direitos humanos








QUE DIREITOS?






por Ivan de Carvalho Junqueira*




Pretendemos tecer ao curso do presente artigo, com base, também, em nosso mais recente livro publicado: “Do ato infracional à luz dos direitos humanos”, singelas considerações acerca do conjunto de direitos a que fazem jus crianças e adolescentes, atentando-se, em especial, diante daqueles mais adstritos ao adolescente em conflito com a lei.

Ab ovo, convém enfatizarmos, ainda que óbvio transpareça, vivenciarmos, a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988 e, à seqüência, com a Lei n.º 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente) e, mesmo antes, sob a luz da Convenção sobre os Direitos da Criança, de 1989, ratificada pelo Brasil no ano seguinte, o marco da proteção integral de direitos.

Superada, a princípio, a concepção “menorista”, há bem pouco vigente à seara da infância e juventude, mas cujos resquícios ainda persistem, abandonou o Estado, ao menos formalmente, o viés da situação irregular, cujos denominados “menores” haveria de cooptar, entendamos bem: pobres, desvalidos e desassistidos socialmente, sitos à margem das políticas públicas, vez que aos de maior poder aquisitivo, oriundos de abastadas famílias, diverso fora o atendimento.

Assim sendo, de vaga categoria sociológica a precisa categoria jurídica, temos hoje por reconhecido o protagonismo infanto-juvenil, razão pela qual passou-se a considerar, legitimamente, crianças e adolescentes quão sujeitos de direito, e não mais mero objetos de intervenção, como no “passado”.

Até este momento, nada de inovador apresentamos. Cremos, todavia, ser de elevada valia a lembrança àqueles precedentes, notadamente, ao decorrer de nossas práticas cotidianas. Atualmente, falar em direitos e deveres soa corriqueiro e mesmo usual. A bem pouco, porém, ao ano de 1896, nos Estados Unidos, noticiava-se o caso da menina Marie Annie defendida, àquele instante, em juízo, pela Associação Protetora dos Animais. Hoje, século XXI, crianças e adolescentes continuam sendo, ao lado das mulheres, das maiores vítimas de conflitos armados e de guerras, de violência sexual, inclusive, sem desprezo a outras práticas, como a de clitorectomia, presente n’algumas regiões ou, mesmo, de matrimônio forçado, a que estão obrigadas em determinados países. São, pois, muito mais vítimas de violência do que vitimizadores.

Em dezembro passado, completara a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o seu 60.º aniversário. Não obstante tratar-se de um conjunto ético de valores e princípios, pós-Holocausto, não sendo lei obrigatória, entretanto, à égide de uma concepção universalista de direito, embora quase natural, inerente a todos, sabemos, de antemão, que muito há que se fazer, dadas as constantes violações aos direitos humanos, a bem dizer, diárias, a que – todos – estamos sujeitos. A propósito, os direitos humanos não são para “bandidos”, enfatize-se, uma vez mais, como insistem em difundir alguns.

No que concerne, mais precisamente, ao adolescente em conflito com a lei, consolidaram as Nações Unidas, sem desprezo a outros importantes documentos, primordial leque de parâmetros então direcionados aos autores de um ato de natureza infracional, entre as quais: as Regras Mínimas para a Administração da Justiça da Infância e Juventude (Regras de Beijing), as Diretrizes para a Prevenção da Delinqüência Juvenil (Diretrizes de Riad) e, finalmente, as Regras Mínimas para a Proteção dos Jovens Privados de Liberdade. De fato, os anos oitenta e noventa do último século foram bastante férteis neste sentido, à difusão de leis e normativas fundamentais ao reconhecimento, mesmo à privação de liberdade, de direitos e deveres (não se vislumbra destes sem aqueles, e vice-versa), ao seio do sistema socioeducativo.

Em sendo adolescente, há de recair sobre este, sem dúvida, consistente mecanismo de responsabilização (em não poucos casos, mais severo que a um adulto), vide o disposto na legislação especial (Lei n.º 8.069/90), podendo conduzi-lo, notadamente, à incidência de condutas mais gravosas, tal qual o ato equiparado ao homicídio simples (Código Penal, artigo 121, caput), não obstante a natureza excepcional de toda e qualquer medida e, mais especialmente, daquela de internação, à privação de sua liberdade (ECA, artigo 121, caput), de seu jus libertatis, de seu convívio comunitário, devendo, a partir daí, submeter-se a um amplo e variado número de regramentos, necessários, desde que plausíveis... em observância ao princípio constitucional da legalidade por até três anos.

Em se partindo de alguns princípios informadores, tal qual aquele, sem jamais minorar a relevância de outros, todos indispensáveis, elencou o diploma infanto-juvenil premissas das mais fundamentais à recepção de uma política pública e social angariadora de uma proteção integral de direitos, como supramencionado, o que se depreende, facilmente, da leitura ao seu artigo 1.º.

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, artigo 94, compete às entidades executoras de medida de internação extenso rol de obrigações. Basta dizer, verbi gratia, observar os direitos e garantias de que são titulares os adolescentes (inciso I).

Veja-se: adolescentes. Reafirmamos isto, pois, em nenhum momento adotou a lei federal, como falado corriqueiramente, a nomenclatura adolescente “infrator”, mas, sim, adolescente em conflito com a lei, a quem se atribui a prática de um ato infracional ou, ainda, adolescente privado de liberdade. Em abandono às teorias lombrosianas, não se trata de condição inata, inerente, quão um atributo, pejorativo, ao jovem protagonista de uma infração, como se, desde o nascimento ou mesmo antes pudessem alguns afirmar, com convicção, de modo fatalista, ser este indivíduo, potencialmente, um provável “delinqüente”. Trata-se, em oposição, de uma situação momentaneamente vigente, num dado momento de sua vida, a ensejar, n’alguns casos (preferencialmente, quando da incidência de condutas mais gravosas), o cumprimento de uma medida socioeducativa. Vale lembrar, ao dizer de Antonio Carlos Gomes da Costa, que “não estamos diante de um infrator que, por acaso, é um adolescente, mas de um adolescente que, por circunstâncias, cometeu ato infracional”. Ressalte-se serem os adolescentes o grande efeito, e não causa, defronte às minguadas políticas públicas existentes. Tal entendimento é de fundamental valia à nossa práxis, inclusive.

Percebemos, mesmo dentro do sistema de justiça juvenil, certas dificuldades em face disto. Em se procedendo assim, adolescentes transformam-se em “números”, “coisas”, em “mais um”. Cediço é que a despeito de todos os esforços, há quem careça – ainda –, tal como para o senso comum, de compreensão diante da real importância de se conceder um atendimento socioeducativo de máxima qualidade, alicerçado no reconhecimento efetivo de cada adolescente enquanto ser humano e pessoa em desenvolvimento, portador de dignidade, respeitando-o, também, à sua individualidade, devendo agir, sobretudo, com compromisso e responsabilidade, afinal, “os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem cumprir o dever que a lei lhes impõe, servindo a comunidade e protegendo todas as pessoas contra atos ilegais, em conformidade com o elevado grau de responsabilidade que sua profissão requer” (Artigo 1.º, Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei), por uma questão ética, de princípio, para além da razão de ofício.

Não concordamos com a prática de um ato infracional equiparado a um homicídio, roubo ou estupro, isto também nos aflige. Enxergamos, destarte, inúmeras outras formas, pacíficas, à resolução de conflitos. E assim há de ser, afinal, vivemos em coletividade, indissociavelmente e, desde o nascimento, ao desenvolver histórico do Estado e das sociedades, vinculados somos a um pacto social. Atitudes estas, de violação ao direito de outrem, a também nos causar espanto, de afronta aos direitos humanos. O poder do Estado, contudo, não é ilimitado. Querer reavivar vindicta privada, despida de quaisquer garantias, soa absurdo.

Clamores outros, dos mais simplistas, sobre o reducionismo da idade de imputabilidade penal no Brasil para 16, 15, 14 anos... ou mesmo do aumento para com o tempo de cumprimento de uma medida socioeducativa, muito especialmente, de internação, por parte dos adolescentes, alardeados são a cada esquina ancorados no oportunismo e sensacionalismo de alguns meios de comunicação. No que tange àquele, alerta-nos as Regras de Beijing, que: “Nos sistemas jurídicos que reconheçam o conceito de responsabilidade penal para jovens, seu começo não deverá fixar-se numa idade demasiado precoce, levando-se em conta as circunstâncias que acompanham a maturidade emocional, mental e intelectual” (Responsabilidade Penal, item 4.1).

Adiante, brinda-nos o ECA acerca dos direitos do adolescente ora privado de liberdade, ao curso de seu artigo 124 e incisos, sem desprezo a tantos outros, constituindo enumeração meramente exemplificativa, não taxativa.

Respaldados estamos num grande leque de normativas nacionais e alienígenas, como sabido. Necessitamos, doravante, da aprovação da Lei de Execução de Medidas Socioeducativas, cujo projeto já existe, consolidando, assim, o já disciplinado pelo Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo – SINASE.

Ainda temos de caminhar. O número de adolescentes hoje internos, aos quais se impôs, previamente, medida privativa de liberdade, de extrema ratio, ainda é bastante alto, o que independe da vontade da entidade executora, não se coadunando, neste diapasão, com o disposto na própria legislação especial, a clamar pelo seu estabelecimento tão-somente quando da absoluta impossibilidade à imposição de medida de natureza diversa, i.e., em meio aberto. Parte do Poder Judiciário pátrio ainda reluta à afirmação do contrário.

Parafraseando Eduardo Galeano:

Ella está en el horizonte. Me acerco dos pasos, ella se aleja dos pasos. Camino diez pasos y el horizonte se corre diez pasos más allá. Por mucho que yo camine, nunca la alcanzaré. Para que sirve la utopia? Para eso sirve: para caminar.

A D.W., in memoriam, dedico o presente artigo.


*Bacharel em Direito, funcionário da Fundação Casa-SP, escreve na área de Direitos Humanos. Seu mais recente livro publicado é: “Do ato infracional à luz dos direitos humanos” (2009).

PLANETA VOLUNTÁRIOS




RELATÓRIO DO PLANETA TERRA






por Marcio Demari*






Se a população da Terra fosse reduzida à dimensão de uma pequena cidade de 100 pessoas, poderia observar-se a seguinte distribuição:




57 Asiáticos


21 Europeus


14 Americanos (norte e sul)


08 Africanos


52 mulheres


48 homens


70 pessoas de cor


30 caucasianos


89 heterossexuais


11 homossexuais


06 pessoas seriam donas de


59% de toda a riqueza e todos eles seriam dos Estados Unidos da América


80 pessoas viveriam em más condições


70 não teriam recebido qualquer instrução escolar


50 passariam fome


01 morreria


02 nasceriam


01 teria um computador


01 (apenas um) teria instrução escolar superior




Quando olha para o mundo nessa perspectiva, consegue perceber a real necessidade de solidariedade, compreensão e educação?




Pensa também no seguinte?:




Esta manhã, se acordar com saúde, então é mais feliz do que 1 milhão de pessoas que não vão sobreviver até ao final da próxima semana.




Se nunca sofrer os efeitos da guerra, a solidão de uma cela, a agonia da tortura, ou fome, então é mais feliz do que outros 500 milhões de pessoas do mundo.




Se pode entrar numa igreja (ou Mesquita) sem medo de ser preso ou morto, é mais feliz do que outros 3 milhões de pessoas do mundo.




Se tem comida na geladeira, tem sapatos e roupa, tem uma cama e teto, é mais rico do que 75% das outras pessoas do mundo.




Se tem uma conta bancária, dinheiro na carteira e algumas moedas num moedeiro, pertence ao pequeno grupo de 8% de pessoas do mundo que estão bem na vida.




Se está lendo esta mensagem, é triplamente abençoado, pois:




1.Alguém lembrou-se de você.


2.Não faz parte do grupo de 200 milhões de pessoas que não sabem ler.


3.E tem um computador!




Tal como alguém uma vez disse:




- "trabalha como se não precisasses do dinheiro;


- ama como se nunca tivesses sido magoado;


- dança como se ninguém estivesse a ver-te;


- canta como se ninguém estivesse a te ouvir;


- vive como se a terra fosse o Paraíso ."






* É coordenador do Planeta Voluntário


domingo, 7 de junho de 2009

marcos brunini - psicologia evolucionista

POR QUE ACREDITAMOS EM DEUS? I[1]





por Satoshi Kanazawa[2], 24/03/2008.






Pergunta: Por que acreditamos em Deus?

Resposta: Beavis e But-head.

Boa noite a todos... Voltem para suas casas com cuidado e não esqueçam da gorjeta do garçom!






Acreditem em mim, há relação...








A chave para a conexão entre Deus e Beavis e But-head são duas estrelas ascendentes da psicologia evolucionista, Martie G. Haselton, da UCLA, e Daniel Nettle, da Universidade de Newcastle, com sua incrivelmente engenhosa Teoria de Manejo do Erro. Em minha opinião, a Teoria de Manejo do Erro representa a grande realização teórica na psicologia evolucionista em vários anos.

Imagine uma cena típica em Beavis e But-head, numa rara ocasião em que os garotos não estão sentados no sofá assistindo vídeos. (Não tenho assistido à MTV desde 1994, mas espero que ainda estejam sendo exibidos; eu também poderia me referir ao tio Miltie e o Texaco Star Theater.) Beavis e But-head estão andando pela rua quando passam duas jovens atraentes, vestidas em seus obrigatórios shorts e camisetinhas. Ao passarem, uma delas volta-se aos dois, sorri e diz “Olá!”.

O que acontece? Beavis e But-head congelam, a totalidade de suas funções cognitivas (do jeito que são) entra em alerta, e aí eles murmuram, “Uau...Ela pagou pau...Ela quer transar comigo...É hoje, vou me dar bem...”

Tão cômico quanto pode ser esse espetacular mal-entendido, as evidências experimentais sugerem que a reação de Beavis e But-head é bastante comum entre homens. Num dado experimento, um homem e uma mulher travam uma conversação espontânea por alguns minutos. Imperceptíveis a eles, dois observadores, uma mulher e um homem, acompanham a interação por trás de um vidro espelhado. Após o fim da conversação, todos os quatro (o participante e a participante, o observador e a observadora) julgam quão romanticamente interessada estava a participante pelo participante. Os dados mostram que o participante e o observador frequentemente julgam que a participante está mais romanticamente interessada no participante do que o fazem a participante e a observadora. Os homens pensam que as mulheres estão querendo se aproximar deles, porém as mulheres não pensam assim.

Seja você homem ou mulher, se pensar na sua própria vida por um minuto, você perceberá logo que esta é uma ocorrência muito comum. Um homem e uma mulher encontram-se e começam numa conversação amigável. Após a conversação, o homem está convencido de que a mulher sente-se atraída e talvez queira dormir com ele, quando a mulher não considera tal pensamento; apenas está sendo agradável e amigável. É um tema comum de muitas comédias românticas (tanto quanto basicamente todo episódio de Three’s Company [sitcom americano exibido entre 1977 e 1984]... Será que estou me datando?)

Por que isto acontece?

A Teoria de Manejo do Erro de Haselton e Nettle oferece uma explicação bastante convincente. Essa teoria começa com a observação de que a tomada de decisões baseada em incertezas frequentemente resulta em inferência errônea, porém alguns erros são mais onerosos em suas consequências do que outros. A evolução deve, portanto, favorecer um sistema de inferências que minimize, não a quantidade total de erros, mas seus custos totais.

Por exemplo, no caso apresentado, o homem deve decidir, na ausência de informação completa, se a mulher está romanticamente interessada nele ou não. Se inferir que está, quando de fato está mesmo interessada, ou se inferir que não está, quando de fato não está interessada, então fez a inferência correta. Nos outros dois casos, entretanto, cometeu um erro na inferência. Se inferir que está interessada, quando de fato não está interessada, cometeu um erro falso-positivo (o que os estatísticos chamam de erro do “Tipo I”). Ao contrário, se inferir que não está interessada, quando de fato está interessada, cometeu um erro falso-negativo (o que os estatísticos chamam de erro do “Tipo II”). Que conseqüências os erros falso-positivo e falso-negativo envolvem?

Se cometer o erro de pressupor interesse, quando ela não está interessada, então se aproximará dela, mas terminará sendo rejeitado, motivo de piada, ou poderá até levar um tapa na cara. Se ele cometer o erro de pressupor que ela não está interessada, quando na realidade ela está, perderá uma oportunidade para o sexo e para a possível reprodução. Ainda que seja muito mau ser rejeitado e motivo de piada (e, acredite, é muito), não é nada comparado a perder uma oportunidade verdadeira para o sexo. Assim, argumentam Haselton e Nettle, a evolução equipou os homens para superestimar o interesse romântico e sexual das mulheres por eles, de modo que ao cometerem um grande número de erros falso-positivo (e, em conseqüência, serem ‘estapeados’ o tempo todo), nunca perderão uma única oportunidade para o sexo.

Entre engenheiros, isto é conhecido como “o princípio do detector de fumaça”. Como a evolução, os engenheiros constroem detectores de fumaça a fim de minimizar, não o número total de erros, mas seus custos totais. A conseqüência de um erro falso-positivo de um detector de fumaça é que você será acordado às três horas da manhã por um alarme alto quando não há nenhum fogo. A conseqüência de um erro falso-negativo é que você e sua família inteira morrerão se o alarme não soar na presença de fogo. Ainda que seja muito desagradável ser acordado no meio da noite sem razão, isso não é nada comparado à morte. Assim, os engenheiros deliberadamente regulam os detectores de fumaça para que sejam extremamente sensíveis, de modo que ocorrerão muitos alarmes falso-positivo, mas nenhum silêncio falso-negativo. Haselton e Nettle discutem que a evolução, no papel de engenheiro da vida, projetou o sistema de inferência dos homens similarmente.

Assim, é por isso que os homens sempre se aproximam das mulheres e fazem propostas indesejadas o tempo todo. Mas o que, em nome de Deus, isso tem a ver com nossa crença em Deus? Eu explicarei em meu post seguinte. Acreditem em mim, há relação.



Pesquisa e tradução: Marcos Brunini (marcosbrunini@yahoo.com.br)

[1] Why do we believe in God? I, disponível em http://blogs.psychologytoday.com/blog/the-scientific-fundamentalist/200803/why-do-we-believe-in-god-i acessado em 22/01/2009

[2] Satoshi Kanazawa, psicólogo evolucionista na London School of Economics and Political Science e coautor (com Alan S. Miller) de Por Que Homens Jogam e Mulheres·Compram Sapatos - Como A Evolução Molda Nosso Comportamento. Rio de Janeiro: Prestigio Editorial. 2007.

cuento - letras desvalorizadas



LETRAS DESVALORIZADAS*



por ronaldo duran**



El hombre es un animal disconforme con la regla del juego que la vida impone. ¿Ya hemos visto una hormiga alcanzar la luna? ¿Al comando de un hormiguero apoyándose en una supuesta legitimidad, dictando ordenes en el hormiguero vecino? ¿Caballo, buey o vaca poniendo a escarbar las capas de ozono?


El animal humano escarba y escarba casi todo a su alrededor. El gordo, sueña quedarse delgado. El delgado, espera ganar peso. El blanco, vive aburrido y desea ser moreno. El negro, se pinta de blanco. El calvo, no ve la hora del implante... El genotipo ha perdido el espacio ante las tinturas artificiales que colorean la piel y el pelo en los días actuales.


Similar a las demás especies de la naturaleza, en la especie humana existen los súper-tranquilos contrastando con los activos. Extremos humanos. Mientras a los primeros, en la óptica de un observador poco atento a los pequeños detalles, juraría tratarse de personas sufridas.
¿Sufrido? ¿El ser humano? Esto es un equívoco. A menos que se haya muerto, no hay persona totalmente sufrida.


Destino, Dios, espíritus divinos y demás fuerzas ocultas del universo han dado rienda suelta y dejaron de intentar comprender a esto raro especie que se arrastra sobre la Tierra. Han percibido que eso resulta en un trabajo inútil.


Pasear en la filosofía sobre lo que es el hombre jamás tendrá el mismo efecto que mostrar la simple rutina de una persona.


Ya que hablamos de disconforme, vamos a ver uno.


Robson de Braga Araujo busca ser valorizado como escritor. Hasta allí todo normal. Cada cual tiene su sueño.


Aquí el soñador camina al borde del pozo de la obsesión.


Robson llena su meta hasta el límite del delirio. Auque se trate de un delirio letrado, académico y crítico. El delirio es alcanzar la fama a cualquier riesgo. Lo malo es que el reconocimiento ha huido como algunos parlamentarios se esquivan de la CPI, cualquier CPI, desde que lleva a la sospecha sus actos y patrimonio.


Miércoles por la mañana, mes de julio de 1996. La ciudad de Taubate, municipio de la Provincia de São Paulo, despertaba de la misma manera que lo había hecho en el día anterior, no obstante lo que digan los amantes de la Física.


Estamos en la periferia, porque Taubate también cuenta con la suya. La casa es aquella despreciada por la gente esnob, pero deseada por los millares de miserables que encaran un banco frío en la plaza, un rincón en una vereda de algún establecimiento comercial, únicos locales disponibles, como regla, en una metrópolis, a menos que el mendigo haya alcanzado un hueco en una villa miseria.


Robson mira el despertador neurótico que berrea sin cesar. Seis y media. ¿Por qué enfardase? Si él mismo puso el ruidoso para sonar a la hora esperada. Su obligación seria agradecer. Lo otro había quebrantado semana pasada. Perdía siempre la hora.


_ Vamos, hombre, vamos... La hora ha llegado.


No es el reloj eléctrico que le dirige estas palabras, mas bien su conciencia, aunque bueno retraída.


Cuanto le hubiera gustado haber atendido al llamado. Pero su cansancio no se lo permitió. Dormiría por hora más.


De repente, se apoyó en la cama. Desperezase. Le gustaría que el mundo se hubiera acabado, una bomba hubiese caído en la ciudad o cosas peores. Todo. Menos dejar las frazadas.


Apoya sus pies en el suelo helado. Va a buscar las malditas chancletas. Jamás las encuentra en donde las dejó en noche pasada. Pero ni él sabría decir precisamente en que sitio las había dejado. Recoge un par al sur y otro al norte. Por más que lo desease, no lograría atender a la antigua solicitación de su madre, doña Eunestina.


_ Evita pisar en suelo helado. Esto hace muy mal a la salud.


Doña Eunestina cumplía el papel de una madre cuidadosa. Temía mucho el catarro crónico de su hijo. Aunque esporádico, este no ha dejado Robson en paz desde pequeño. La lucha dura ya tres décadas.


Como por arte de magia, había vestido el pantalón y la camisa sin planchar. En el desayuno venía el Nescau con leche y una mitad de pan del día anterior, con mantequilla. Él hacer el café le daría mucho trabajo, aunque fuese soluble. Bebía bastante durante todo el día en la oficina. Entonces, ¿para qué preocuparse?


Los dientes van sin cepillar. En la notaría cuidaría de la higiene de su boca. En su armario, lucían jabones, pasta dentífrica y cepillo de dientes.


El sol de una mañana de invierno, de vez en cuando causa ardor en los ojos de quién saborea las recomendadas ocho horas de sueño. Imagino el daño que hace a la salud de quién mantiene el mal hábito de imitar murciélagos y lechuzas, cambiando el día por la noche. Robson, dedicado amante de las letras, encuentra una oportunidad para bosquejar sus poemas en el silencio y en los ratos libres de la madrugada.


Llegó retrasado en la notaría. El patrón, resabido, ni hace cara de pocos amigos ¡ No lo adelantaría! Había solamente un consuelo: descontar en el fin de mes el salario. Y no estaba dispuesto a abrir la mano del recurso.


¿ A quién le gusta perder? Ni aquel que cae en falta. Un día la indignación explotó. El retrasado, de comprobante salarial en la palma de la mano, tuvo el coraje y fue a reclamar.


_ ¿Mas Sr. Antonio, todo esto de descuento?


_ ¿ Qué hacer? Son los minutos retrasados.


_ ¿Pero todo esto?, el empleado, con la mirada sufrida en el rostro, monologa la pregunta sin esperar por una respuesta favorable. Sabia que había cometido falta.


_ Sumé veinte minutos en un día, quince en el otro..., llegué a este valor, decía el patrón con los ojos fijos en el papel, en el cual listaba los más de veinte días que contaba con descuento.


_ El señor conoce mi realidad... vivo a lejos de aquí...


El abogado Antonio Queiroz, dueño de la notaría, sonrió medio confuso. Con más años de abogacía que Antonio de Magalhães de política, sabia reconocer un bueno carácter en la persona de Robson. Funcionario aplicado. No tiene pereza en el servicio. Ni era absentista.


Buscó a barajar la actitud arbitraria.


_ Sé de todo esto... y mucho más... Lo que no puedo es abrir excepción para nadie. Si no te llevo por tus retrasos es bien posible que mañana por la mañana todos empiezan a llegar después de las diez...


Exageraba. Pero mismo exagerando todo empleador juzgase tener la razón, y ¿quién va le destituir de ella?


Robson hice su retirada, vuelve para su puesto. Reconocía la pérdida de tiempo.


Después de sacar la capa protectora de la máquina profesional, corrió hacia Enrique para recibir la papelera acumulada. Mecanografiaría hasta la hora de almuerzo, sin cesar. Si bien que ir al baño, fumar un Hollywood, mojar el gañote con un cafecito, café que Guilherme, vulgo Zé Bezudo, tracia del Bar & Restaurante, era de ley, acciones constituyentes del servicio.


El día en la notaría era de perro, y de los rabiosos. El Cristián tradicional allí avistaría la imagen del infierno dantesco. Ni faltando figuras conocidas como a del diablo. Este en piel de Antonio Queiroz.


¿Qué más podría pensar delante aquella fisonomía irregular? Bigote espeso, un poco gris por la edad, un poco amarillo por el hábito del cigarro puro; calva pronunciada en tope de la cabeza; raspadura de pelos blancos por cima de las orejas; las mejillas que parecían hervir, dado el rubor constante en la hora de mayor movimiento en la notaría.


El diablo no reina solo. La clientela del otro lado del balcón seria los ángeles decaídos. Esto cuando no ocurría un u otro más arrojado empurrarse adentro de la arena que debería ser exclusiva a los funcionarios, con intento de hacer sus exclamaciones más vehementes, aterrorizadoras.


La lógica diaria es la gritería. Caras aburridas delante la espera. Impuestos contradichos antes de quitados. El doctor, algo sensible con las personas, pasa por bruto cuando el asunto es ganar dinero, o evitar pérdidas. El número de funcionario, ah, insuficiente para la clientela. La sed de ganancia hace con que él cierre los ojos a la realidad.


Cosas de Brasiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiil.


Rutina de los documentos importantes. Firmas que se abren. Firmas que se cierran. Persona física o jurídica que protestan o que se ven protestadas.


El brasileño amante de samba encara el tumulto de modo diferente del Cristián tradicional. Vería en eso el carnaval jurídico. Los más variados bloques desfilando por la gran apoteosis llamada notaría. Bloques de fraudulentos, de lesionados, de emprendedores, de asociativos...


Mecanografiar, manosear documentos ultra-ultra-confidenciales. Reconocer firmas, rúbrica. Autenticar copias de CI, CIC. Tirar certificación de nacimiento, de casamiento, de óbito. Recibir el C.G.C. Copia del estatuto publicado en Diario Oficial, colorido por la lista de los directores, asociados. Registrar ACTA de Asamblea ordinaria, extraordinaria, es siempre buen para evitar habladurías.


Los ventiladores de techo que calientan más que refrescan. El acondicionador que se ha desarreglado una semana atrás instalado y hasta ahora en la asistencia técnica. Por suerte el invierno ayuda un poco.


Los callos en los dedos, cosa de practica. Portaplumas babeadas y mordeduras en las tapas. Muchos prefieren las chupar que mascar las puntas de cigarrillo.


Cinco y media. Robson agotado. ¿Quién estaría aún con alguna animación atrás toda esta tempestad? Nadie, sino que fuera un tunante. El tunante que se ahorra de esfuerza bruta, que logra dirigir el ambiente de manera a no perder a él en stress enfermizo. Marcos es un tunante. Lo único que mostrase dispuesto a pasearse al Shopping Center, espera la enamorada, a cual trabaja en una tienda de ropa de moda y encara dos horas delante de una gran pantalla de cine, con una bolsa de palomitas en las manos.


Los demás se arrastran hacia sus casas. Una buena parte, después de un baño y la refección calientita que aterriza en la mesa de la cena, vuelven a tener lo ánimo. Despiertan. Dan la justa atención al televisor, al radio, durante el resto de la noche, aguardando la hora de dormir.


El solitario no goza de la misma suerte. Va a lavar la loza. Poner algunas cosas en orden. Desde que la mujer pedió las cuentas, indo a enroscarse en los brazos de otro hombre, en opinión de ella, más pie-en-lo-suelo, la casa asemejarse a una república, una casa sólo para estudiantes. Robson sólo tiene alguno capricho cuanto a la limpieza en vista de la visita de los dos hijos suyos, un varón y una chica.


El padre deposita la pensión de los chicos, la cuantía que la ley exige, en la cuenta corriente de la ex esposa. No es él uno avariento. Cuando necesario, suelta un poquito más de dinero. La esposa y el actual marido, ambos muy bien empleados, no tendrían necesitad. Pero ya que el padre así desea, bueno.


Ana cansó de la convivencia. Robson a su lado no lo puedo negar: había tenido buena vida familiar. Pero la perdió por intransigencia. Volvió a usar de una costumbre que había nutrido en la adolescencia: lo gusto por la poesía. Sin medir las consecuencias, deseó dedicarse con todo su empeño.


Apegándose a los libros con tal voracidad, en los finales de semana, él encolerizó la esposa. Sin paseo, siquiera asistir al Faustão, ni fútbol, ni brega entre ellos, ni nada. Lectura, sólo.


Insuficiente los finales de semana, contaminó las noches, las madrugadas. Ella solitaria. Él leyendo y escribiendo. Fue la gota que colma el vaso. No tuviera nacido para eso. Así que él encerró un segundo volumen de poesías, Ana se marchó.


Robson envió los volúmenes para las casas editoras. Dos le rechazaran pronto. Otra, casi seis meses adelante para le volver una respuesta negativa. Las editoras son gentiles. Si recusan el material, alegan: nuestro programa de lanzamiento va indo lleno, y se queda comprometido por los próximos meses... Mismo sin interés en la publicación de lo original suyo, quedamos gratos por la preferencia. La ausencia de palabras explicitas que descalifican las poesías ha incentivado a su ego de escritor a persistir en el trabajo. Y allí vamos a verle a nutrir la esperanza que un día la suerte le muestre su sonrisa.


“La arte nace destituida de la ganancia. Si un día quedarme reconocido, muy bien”, es la opinión de Robson. Conservando esta convicción nuestro Don Quijote de las Letras Desvalorizadas dedicase de cuerpo y alma a su intento. Un martirio que, aquí entre nosotros, provee cierto placer al pobre desgraciado.


¿Qué importa la mujer, la tranquilidad? En el cerebro del inconformista hay una sustancia extraña. ¿Néctar de la confianza de la ilusión? Poco interesa. Lo que importa es que disputa lugar con la sangre, irrigando sueños y actitudes.



* Letras Desvalorizadas es una traduccion de Carlos Vargas de lo original em portugués: Letras Desvalorizada


** Romancista, colabora en periodicos brasileños toda semana.

sábado, 6 de junho de 2009

SHORT STORY - a dedicated lover of literature


A DEDICATED LOVER OF LITERATURE*


by ronaldo duran**


MAN is a rebel when it comes to the rules of the game life imposes on him. Have you ever seen an ant make it to the moon? The leader of an anthill taking it upon himself to give orders to a neighboring anthill? A horse, bull or cow being commit the folly of disrupting the ozone layer?
Man is never satisfied with anything. If he's fat, he dreams about losing weight. If he's thin, he hopes he can gain weight. If he's white, he gets all worked up about getting a tan. If he's black, he paints himself white. Bald, he can't wait for an implant. Nature kMan has a go again and again with just about everything. Being fat, he dreams of being thin; thin, he hopes to put on weight. White, he gets all worked up about getting a tan. Black, he paints himself white. Balding, he goes for an implant. Nature loses out to hair dye and fake tans nowadays.


JUST like with other natural species, there are humans who are exceptionally calm as opposed to those who are overactive. Human extremes. As for the former, an observer who pays little attention to small details would swear that they are simply conformists.
Conformist? Man? Not a chance. Unless he's already dead, no one is really a conformist.

DESTINY, God, spirits from the beyond and other occult forces in the universe have given up trying to understand this strange species that crawls on the surface of the earth. They know it's a lost cause. To philosophize about what man is never has the same effect as presenting the simple day-to-day routine of a person.

SINCE we're talking about non-conformists, let's take a look at one.Robson de Braga Araújo wants to be recognized as a writer. So far, nothing unusual there. We all have our dreams.However, in this case our dreamer is on the brink of obsession.Robson takes his goal to the limits of delirium. Even though it's a scholarly, academic and critical delirium. His delirium is fame at any cost. The problem is that recognition escapes him just like some politician running from an investigation into his background.


WEDNESDAY morning, July 1996. The city of Taubaté in the interior of the state of São Paulo, waking up the same way it did the day before, despite what lovers of physics might say.
We are on the outskirts of the city, because Taubaté too has its outskirts. The house is one looked down on by snobs but dreamed about by thousands of the poor who have to deal with the cold, wet benches in a park or a corner of the sidewalk, pressed up against a building – usually the only places available in a big city unless one can find a spot in a shantytown somewhere.
Robson looks at the deranged alarm clock that bellows on and on. It's 6:30 a.m. Why should he complain? He was the one who set the darned thing to go off at that time. He should be grateful. The other one that broke last week let him oversleep.


_ LEST'S go, man, let’s go… It’s time.

IT'S not the alarm clock talking. It’s his conscience, half numb, that's yelling at him.
Of course he wants to obey the clock. But his exhaustion doesn't let him. He sleeps for another hour.


SUDDENLY he sits up and stretches. He wishes the world would come to an end, that a bomb would drop, or even worse. Anything except coming out from under the covers.

HE touches the icy floor with his bare feet. Looks around for his slippers. Damned things. Never finds them where he left them the night before. But he couldn’t say exactly where he'd left them. He finally finds them, one over here, the other over there. Even if he wanted to, he couldn't obey the admonition of his mother, Dona Eunestina

_DON'T stand on the cold floor. It’s very bad for your health.

DONA Eunestina fulfilled her role as the dedicated mother. She feared for her son's chronic chest colds. Although sporadic, Robson had had no peace from an early age. It was a battle spanning more than three decades.

WITH sleight-of-hand, he puts on his worn-out jeans and an unironed shirt. Breakfast is powdered chocolate mixed with milk and a slice of stale bread with a little butter. Making coffee is too much trouble, even the instant kind. He'd drink gallons of it at work, so why bother making it now?

HIS teeth go unbrushed. He'll take care of his dental hygiene at the notary’s office. He keeps soap, toothpaste and brush in his desk.

THE winter morning sun sometimes bothers the eyes of those who savor the recommended eight hours of sleep. Imagine the damage done to those who have the bad habit of imitating bats or owls, swapping day for night. Robson, a dedicated lover of literature, finds an opportunity to scribble some poems in the silent and empty late night hours.

HE arrives late at the office. The boss, distrustful, doesn't even get mad. As if it would do any good! The only consolation is to dock his wages at end of the month. The boss is not inclined to be overly generous.

BUT nobody likes to get docked. Not even latecomers. So one day Robson’s indignation explodes. Pay slip in hand, he summons up his courage and complains:

_ YOU docked me all of this? – he asks Mr. Antonio.

_ WHAT did you expect? This is all the time you were late.

_ ALL of this? – the employee, with a pained expression on his thin face, repeats the question, not expecting a favorable answer. He knows he was wrong.

_ I added up twenty minutes one day, fifteen another… this is the total I got. – the boss said, his eyes fixed on the paper where he had listed more than twenty days that had been docked in one way or other.

_ SIR, you know I live far from here…

THE lawyer Antonio Queiroz, owner of the notary office, smiled weakly. With more years in the law than Antonio Carlos de Magalhães in politics, he could recognize Robson’s good character. A dedicated employee. Not normally lazy at work. Nor was he absent a lot.

HE tried to find a way around the problem.

_ I know all that… and a lot more… what I can’t do is make an exception for someone. If I don’t dock your lateness, pretty soon everyone will be coming in past ten.
Antonio is exaggerating. Even so, every employer believes he's right and who can take that away from him?


ROBSON beats a retreat and goes back to his desk. He knew he was wasting his time.

AFTER taking off his typewriter cover, Robson runs to Henrique to get a mass of documents. He’ll type without stopping until lunch time. Except, that is, for going to the bathroom, smoking a Hollywood cigarette and sipping a little coffee; coffee that Guilherme, aka Zé Beiçudo, usually brings in from a restaurant. These are the rule, the things that go on at every job.

IT was a dog day at the notary’s office, and a mad dog at that. A conservative Christian would see it as an image of Dante's Inferno. Even the usual suspects are there, like the devil, personified as Dr. Antonio. What else could you think when faced with that weird human figure? A thick moustache, graying with age, yellow from smoking cigars; a big bald spot on the top of his head; wisps of white hairs over his ears; florid red cheeks during the notary office's busiest hours.
But the devil doesn’t reign alone. The customers on the other side of the counter are the fallen angels. This when one or another of the boldest ones invades the employees only area to try to make his point more forceful and intimidating.


THE daily routine involves a lot of yelling. People irritated from waiting. Fees disputed before they're settled. Dr. Antonio, generally kind to people, gets tough when it comes to earning money or avoiding losses. There are not enough employees to handle all the customers. But the greed for profit blinds him to this fact.

IT'S a Braziiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiilianna thing.

THE routine of important papers. Businesses opening. Businesses closing. People and companies protesting or being protested against.

THE Brazilian samba lover faces the tumult in a different way than the conservative Christian. He sees it as a kind of judicial carnival, with all kinds of carnival groups parading through the huge apotheosis known as the notary’s office. There's the swindler's group, the aggrieved group, the business group, the social group, and so on.

THEY type and handle ultra, ultra-confidential papers. They witness signatures, initials. They notarize ID and Social Security cards. They make copies of laws published in the Daily Gazette, adorned with the list of directors and associates. And recording minutes from general and special assemblies is always a good way to avoid loose talk.

CEILING fans that make it hotter rather than cooler. The air conditioner broke down a week after it was installed and it's still in the repair shop. It's winter, though, and that helps a little.
Calluses on the fingers, nothing out of the ordinary. Chewed, tooth-marked pen caps. Many would rather suck on them than to chew on a cigarette butt.


HALF past five. Robson is so tired. Who would still have any drive after all of this insanity? No one but a scoundrel. A slacker who avoids hard work, and manages to get by without getting caught up in stress. Marcos is a slacker. The only one who feels peppy enough to go to the shopping center, wait for his girlfriend who works in a boutique, and then face two hours in front of a movie screen with a bag of popcorn in his hand.

THE others drag themselves home. Most of them, after a shower and throwing a hot meal on the table, get their energy back. They arouse themselves and pay attention to the TV or the radio for the rest of the evening, waiting for bedtime.

THE man who lives alone isn't so lucky. He has to wash the dishes, put things away. Since his wife has left him for the arms of another man, who in her opinion is more reliable that he is, his house looks like some hippie pad. Robson only cleans his house when his son and daughter come to visit him.

THE ex-husband deposits child support, whatever the law demands, in his wife’s account. He is not tightfisted. When needed, he opens his wallet. His ex-wife and her current husband, both of them with good jobs, don't insist on Robson paying, but if he wants to, so much the better.

ANINHA got tired of living with Robson. He had a good family life, but lost it because of his pig-headedness. He turned to a habit that he had nourished in his youth: his love for poetry. Without even thinking of the consequences, he made up his mind to pursue it wholeheartedly.
On the weekends Robson clung to his books with a vengeance. It made his wife angry. No more strolling around town together, or watching TV, no more soccer games, no more bickering, no more anything.


ALL he did was read. As if Saturday and Sunday were not enough, he spoiled every night of the week, not to mention early mornings. She's left all alone while he reads and writes. It was the last straw. She wasn't born for this. As soon as he'd finished his second volume of poetry, Aninha left him.

ROBSON sent the volumes to various publishers. Two of them turned him down on the spot. The others sent rejections slips around six months later. The publishing houses are kind. Even when they turn something down, they claim: our publishing schedule for the next few months is already filled. Although we are unable to publish your works, we thank you for your interest. The lack of explicit terms condemning his work builds up the writer's ego and keeps him in the struggle, nourishing the hope that one day he'll get lucky.

“ART is born destitute of profits. But if the artist gets rich some day, good for him.” That's Robson’s opinion. By holding that conviction our Don Quixote of unappreciated literature dedicates body and soul to the job. Just between us, the poor fellow actually derives pleasure from his martyrdom.

WHAT matters, woman, peace? There's a strange substance in a non-conformist’s brain. Is it the nectar of confidence or the virus of illusion? It doesn't matter. What matters is that it fights for a place in the sun with its very blood, watering its dreams and moods.


* Translated by American journalist Amy Duncan from Portuguese Title: Letras Desvalorizadas.

** Ronaldo Duran, novelist, writes for newspapers every week.
CONTACT: ronaldo@ronaldoduran.com

nelson valente - suécia



SUÉCIA É O PAÍS QUE MAIS INVESTE EM EDUCAÇÃO




por Nelson Valente*




A Suécia é o país que mais investe em educação. Só em 2008, gastou 7,6% do seu Produto Interno Bruto nessa área, superando os Estados Unidos, a França, o Japão e a Itália, que aplicaram índices inferiores do seu PIB no mesmo setor.


Com uma população de 8,4 milhões de habitantes, o país passou por uma intensa reforma educacional, a partir dos anos 50. Hoje, dedica nove anos à escolarização obrigatória, que abrange alunos dos sete aos dezesseis anos de idade; dispõe de classes integradas para o ensino médio, objetivando acomodar indivíduos a partir dos 16 anos; possui um sistema municipal de educação de adultos oferecendo a mesma qualidade-padrão dada aos mais jovens; e conta com um nível superior aberto a qualquer um, com qualificações bastante diversificadas.


Todas as crianças entram no pré-escolar pelo menos um ano antes de iniciar a escolarização obrigatória. As instituições que realizam esse trabalho não pertencem ao sistema regular de ensino, mas a programas governamentais de auxílio à criança.


A parcela do orçamento voltada para o ensino é distribuída de tal forma que aumenta os incentivos, estimulando os estudantes. A pré-escola, a educação obrigatória e o ensino médio são controlados pelas autoridades municipais, mas os gastos com a manutenção são divididos com o Estado.


As escolas são gratuitas e seus alunos recebem ainda o material escolar, a refeição e o transporte. Existem poucas escolas particulares. Os pais dos estudantes recebem o salário-família, que é idêntico para todos, até que os dependentes completem 16 anos. A partir daí, os jovens que desejam continuar os estudos recebem bolsas. Chegando ao nível superior, essas bolsas passam a ser empréstimos reembolsáveis. As administrações municipais proporcionam a um número cada vez maior de crianças atendimento durante todo o dia e atividade fora do horário escolar, por preços módicos. A educação em nível universitário é totalmente controlada pelo governo, existindo mais de 30 instituições que proporcionam ensino gratuito.


Na Suécia, as pessoas com retardamento mental cursam uma escola especial, que não é apenas um direito, mas faz parte da escolarização obrigatória, na faixa dos 7 aos 21 anos. A integração entre o ensino regular e o especial cria condições para uma cooperação mútua, oferecendo aos deficientes mentais as mesmas facilidades de que dispõem os outros estudantes.


Observando o sistema educacional sueco, nota-se uma forte preocupação em manter um currículo homogêneo, igual para todas as escolas do país. Ele contém exigências expressas quanto às tarefas escolares, de maneira que elas se adaptem às necessidades intelectuais e sociais dos alunos. O objetivo principal do governo é beneficiar o desenvolvimento da personalidade da criança, aumentar suas possibilidades de uma boa colocação no mercado de trabalho e garantir uma intensa participação na vida da comunidade. Para um país das suas dimensões, o sistema funciona de modo bastante adequado, o que resulta na posição invejável da Suécia no conceito internacional.


No Japão, o ensino é obrigatório durante os primeiros nove anos de escolarização ( seis no primário e três no secundário inferior) . A partir daí, tudo é opcional. Em conseqüência, praticamente todos os japoneses dos seis aos 15 anos de idade encontram-se nas escolas, num fenômeno elogiável de universalização do ensino.Alcançando esse ideal, os educadores agora se voltam para a discussão em torno da qualidade do ensino, procurando-se valorizar a criatividade, de que eles andam bastante divorciados. Condena-se hoje o excesso de memorização nas escolas, quando o desejável é a compreensão maior e melhor das lições transmitidas por seus mestres.


Outro aspecto a ser ressaltado é o excesso de competitividade, responsável pela enorme freqüência de suicídios entre os jovens. Não serve estudar em qualquer escola, mas nas que têm renome, sobretudo universidades. As melhores oportunidades são oferecidas aos que têm históricos escolares exemplares, o que é compulsado pelos caçadores de talentos das empresas japonesas.


Para oferecer essas oportunidades aos seus estudantes, o Japão investe 12% do orçamento em educação. Os Estados Unidos investem nada menos de 13,6 %. Numa comparação sem maior análise, do que faz o Brasil. O problema é que temos uma dívida social imensa, que precisa ser resgatada com investimentos maciços na educação. Enquanto isso não se fizer, continuaremos a conviver com números e carências verdadeiramente absurdos.


O povo brasileiro considera a educação como principal fator de mudança na sociedade. Por falta de marketing e a existência de circunstâncias sobre as quais não se tem domínio, como é o caso da segurança e da saúde, a educação passou a uma posição secundária, o que dificulta considerá-la prioridade. Para o leigo, ela deixou de ter a mesma importância de dez ou 15 anos atrás.


Entre as reformas preconizadas para a educação brasileira, seria originalíssimo pensar numa estratégia de marketing que valorizasse a vontade política do país, no sentido de dar à educação a precedência que lhe é devida. Só assim, viveríamos novos tempos de esperança, no setor que é fundamental para o nosso crescimento rápido e auto-sustentado.



(*) é professor universitário, jornalista e doutor em Comunicação.

sábado, 30 de maio de 2009

ronaldo duran - que alívio


QUE ALÍVIO*



Noite fatídica. Passagem que quero esquecer na minha carreira. A morte da princesa Diana foi um divisor de águas. Antes dela, a opinião pública era mais tranqüila. Chamavam-nos de sensacionalistas, que não valíamos nada. Os rótulos pejorativos vindo principalmente do flagrado irritado. Mas de uma forma ou de outra seguíamos fazendo ouvidos mouros. Afinal, as revistas de fofocas vendem a rodo e alguém tem de fazer o trabalho sujo.


Antes da tragédia eu já tinha saído do Brasil, de posse de minha câmera, para clicar em solo europeu. Minha carreira, confesso, teria poucas chances de decolar se eu não fosse um dos fotógrafos que estampou a acompanhante do presidente sem calcinha em cima do palanque. Depois da foto circular nos Estados Unidos, me chamaram para integrar, na França, o que pejorativamente se conhece como paparazzi.


À noite do acidente, não que eu queira tirar o meu da reta, mas eu não estava na perseguição à princesa. Sim, estava de serviço, mas fuçando outras paisagens. Um ministro suspeito de manter um caso com a secretária. Claro que se eu fosse escalado para correr atrás da princesa, meu contrato me obrigaria e a ambição também.


Com as fotos da secretária e do ministro saindo de um motel à mesinha, eu tinha o controle remoto na mão direita e na esquerda, uma budweiser geladinha. Já era madrugada, quando o noticiário me chamou a atenção. “A princesa Diana se acidentara...”. Pela localização, uns três quarteirões de meu muquifo. Nem pensei. Peguei minha câmera e corri pro local. Chegando lá, que loucura. Sim estava lotado. Mas isto foi de menos. Um grupo investira contra mim. Chamavam-me de assassino. E eu fiquei mais perdido que cachorro que cai do caminhão de mudança.


Corri novamente, agora pro meu apê. Em casa, protegido, e ouvindo a CNN percebi o que havia acontecido. A princesa falecera. O povo culpava os paparazzi. Fiquei na defensiva de início. Depois entendi que a fúria tinha razão.


Se eu, sendo um deles, aceitava que os paparazzi tinham culpa, imagina o povo. Que inferno não seria para os fotógrafos dali para diante.


Nem nós levávamos tanta fé que o povo amava a princesa daquele jeito. Pensávamos que dali a uns dias tudo se acalmaria. Nada. Todos com uma câmera na mão passaram a ser o inimigo público número 1. Pela primeira vez os paparazzi sentiram na pele o mesmo que suas vítimas quando as perseguem implacavelmente.


Por um passe de mágica, veio a notícia de que o culpado seria o motorista que estava bêbado. Que alívio. Santa providência! Poderíamos finalmente andar na rua e continuarmos perseguindo a privacidade alheia em nome da liberdade de imprensa.


*Ronaldo Duran, romancista, colabora neste jornal toda semana.
Contato: ronaldo@ronaldoduran.com
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