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sábado, 25 de julho de 2009

nelson valente - educação


Estatuto da Criança e do Adolescente.
Tudo muito bonito, mas efetivamente inócuo.


por Nelson Valente*



Em matéria de documentos oficiais, não podemos nos queixar. Estamos com uma bonita coleção, que vai desde a Declaração Universal dos Direitos da Criança, passando pela nossa Constituição, até chegar ao Estatuto da Criança e do Adolescente. Tudo muito bonito, mas efetivamente inócuo.


Com enorme tristeza e preocupação verifica-se que o número de crianças maltratadas no Brasil cresce a cada dia. Além das que se encontram fora da escola, o total de mortes ultrapassa 100 mil por ano. Diante do elevado grau de violência existente nas ruas, é duro verificar que a própria família, dentro de casa, também contribui para agravar essa situação. Espancamentos, negligência nos cuidados com a alimentação e medicamentos, cárcere privado e até abusos sexuais, que vem aumentando sensivelmente, são algumas das reações dos adultos para "repreender e corrigir" menores que tenham cometido algum delito.



As ocorrências registradas estão ligadas principalmente às populações de baixa renda. Mas segundo pesquisas já realizadas, a violência no lar abrange toda a sociedade, inclusive famílias de maior poder aquisitivo e com grau de instrução elevado, que não costumam fazer as denúncias para evitar constrangimentos.



De acordo com pedagogos, psicólogos e pediatras, o problema é mais comum em pessoas com deficiências comportamentais como o alcoolismo e o uso de drogas, e também pelo desequilíbrio na relação do casal, que acaba por afetar os filhos.O Brasil situa-se na posição, no mínimo desagradável, de terceiro colocado mundial em maus-tratos infantis.




Em congressos e seminários, demonstra-se que é preciso haver uma mobilização da sociedade em defesa dos menores e, especialmente, mudanças radicais na legislação do país, com a adoção de medidas punitivas mais rígidas a todos os que, por insensibilidade ou por ignorância, abandonam os menores à própria sorte ou cometem contra eles violências inadmissíveis. Um trauma contraído em tenra idade pode perdurar por toda a vida, transformando aquele ser humano num marginal.



Não custa consignar-se este grito de alerta, enquanto é tempo.


O psicólogo/psicanalista Everaldo Ferraz de Oliveira, é especialista em psicologia infantil há 20 anos. Para ele, o ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente, permanece em nível de legislação e não tem o poder de gerar fatos. As consequências da violência doméstica acompanham suas vítimas até a vida adulta. As crianças geralmente se tornam nervosas, agressivas e, na maioria das vezes muito melancólica. Sem falar no prejuízo em termos intelectuais, o que pode provocar, em pouco tempo, dificuldades na aprendizagem escolar.

Professor universitário, jornalista e doutor em Comunicação.
Contato: nelsonvalenti@hotmail.com

ivan de carvalho junqueira - direitos humanos




ECA & DIREITOS HUMANOS


Ivan de Carvalho Junqueira*


Há determinadas coisas na vida que, com o passar do tempo, percebemos não ser mero acaso, quão uma simples coincidência. Ademais dos fatos, alguns bastante tristes, outros tremendamente alegres, mas, sobretudo, marcantes, encontramos determinadas pessoas, destacando-se, por evidente, entre as quais, em especial, as significantes. Por estas, exatamente, não deixamos diminuir ou mesmo morrer a chama da utopia à crença no próximo, e não apenas no outro, como se não nos pertencesse, na ânsia pelo devido respeito e por cidadania ou, melhor, pelo seu exercício.




Não sabemos, ao certo, acerca do início e término de uma vida, poderíamos discutir tal perspectiva por anos que, ainda assim, dificilmente chegaríamos a um resultado sobre isto. Contudo, uma vez dispostos aqui, neste mundo, temos de nos entregar e colaborar para que num certo dia, esperamos o mais breve, possamos, conjuntamente, unidos os esforços, atingir um novo horizonte, à colheita de melhores frutos. Num lugar em que todas as pessoas, independentemente de qualquer fator, rechaçadas as distinções por etnia, cor, gênero, credo, idade, liberdade sexual, enfim, possam ser tratadas com igualdade e dignidade.



Propomos, tempos atrás, a realização de uma oficina, em sala de aula (disposta no refeitório), tendo por foco uma abordagem de natureza crítica e construtiva a enfocar o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA e os Direitos Humanos, com alunos entre doze e dezoito anos e, excepcionalmente, até vinte e um anos incompletos. Um ambiente educativo como outro qualquer, a despeito das muitas dificuldades, carecedor – ainda –, de efetivo e maciço incentivo e apoio, a não ser pelo fato de estarmos numa unidade de internação da Fundação CASA/SP, instituição na qual laboramos há mais de três anos.



Resolvi, então, entregar o projeto, tal como o exigível. Haveria, como de praxe, de passar pelo crivo da coordenação e direção.



Tão logo ratificada, competiu-nos efetivá-la, colocá-la in concreto, na esperança de que, ao menos, alguns deles, pudessem se interessar. Ademais disso, ter de competir com outras oficinas, além do xadrez e futebol, realmente, haveria de ser tarefa das mais complicadas, pensávamos. Se já o seria para nós mesmos, imaginem para aqueles para quem, diariamente, por até três anos, o sol nasce quadrado. Não duvidamos – jamais –, do caráter pedagógico da medida socioeducativa, assim como o disciplinado pela Lei n.º 8.069/90, ainda que de internação (em que pese todos os questionamentos em torno da privação de liberdade). Sentimentos de angústia, tristeza e solidão, não raro, caminham juntos, tet-a-tet com o adolescente, ao curso da execução, razão pela qual, sem dúvida, deve ser excepcional. Não nos esqueçamos disto. O ECA não se esqueceu.



Desde o princípio, quando da propositura de uma Oficina de Direitos Humanos, a enfocar teoria e prática, direitos e deveres, Constituição Federal e Estatuto da Criança e do Adolescente, pensei adentrar em terreno espinhoso, ora permeado por amarguras, a começar pela falta de entendimento do que sejam àqueles, cuja (des)construção origina-se, a bem dizer, já no seio da sociedade, imersa no senso comum.




Basta observarmos ao nosso redor, num país que, de acordo com pesquisas, ressalvadas as exceções, ainda crê serem aqueles tão-só para “bandidos”, e que o ECA, não obstante a completude de sua maioridade, não serviria senão ao acobertamento de atitudes de adolescentes, estes seres complicados e de difícil trato (é o que imaginam) e que, no repente, reduzir a idade de responsabilização penal para 16, 15, 14, 13 anos... há, infelizmente, dezenas de projetos no Congresso sob este prisma, a despeito de variadas outras iniciativas a clamar pela adoção de pena de prisão perpétua, oxalá, capital, que, como num toque de mágica, tudo seria resolvido à contenção da alardeada criminalidade, em que pese 90% dos delitos cometidos no Brasil terem por respectivos autores adultos e não jovens e que sendo estes os protagonistas, incidirem suas condutas, invariavelmente, sobre o patrimônio das vítimas e o tráfico ilícito de drogas, e não contra a vida.



Começamos nosso trabalho, em cada qual dos quatro módulos, sob o olhar, pois, da desconfiança. O ambiente socioeducativo constitui um singelo recorte, a despeito do sancionamento, propriamente dito, de toda a elevada carga de estigmas e discriminações observados na coletividade, onde adolescentes em conflito com a lei transparecem como monstros ou anormais.



A despeito dos bons servidores, perante os quais rendemos mais que merecidas homenagens, responsáveis e comprometidos com a constante melhoria de suas ações, os quais ainda vêem nossos adolescentes como adolescentes e não como infratores, muitos outros, à contrapartida, trazem consigo certa perversidade, onde os chamados menores são números, insignificantes.



Ao iniciar da referida oficina, pouco sabiam os adolescentes, por falta mesmo de acesso à educação, acerca dos “direitos humanos” e de seus direitos e deveres enquanto cidadãos (não deixam de sê-lo, ainda que privados da liberdade). Mas, para aqueles que, uma vez coisificados e subestimados por alguns, andar de cabeças sempre baixas e mãos para trás ou pedir licença centenas e centenas de vezes é tarefa diária, apresentar-se-ia improvável a perspectiva.
Com respaldo na Constituição Federal, de 1988 e no diploma infanto-juvenil, e à luz da Declaração Universal de Direitos Humanos, de 1948, aos poucos, didaticamente, foram assimilando, ao reconhecimento, de cada adolescente, como um sujeito de direito e autor de sua própria história.



Foram realizados mais de três dezenas de encontros. Ainda que competindo com várias outras atividades, ministradas de forma simultânea, atingiu-se o número de quase quinhentas presenças, consolidando a média de, aproximadamente, quinze adolescentes por encontro, findo pouco mais de dois meses, até a saída daquela unidade. Ressalte-se que, diversamente das outras, a presença de cada qual dos adolescentes nunca se deu de maneira compulsória, mas flexível, facultada a todos os interessados. Seria, certamente, uma grandiosa contradição defender a plataforma emancipatória do ECA, sepultada a concepção irregular e “menorista” da precedente legislação de 1927 e 1979, oferecendo-lhes atividade de cunho obrigatório.



Muitos acabam se acostumando com meninos e meninas de rua que, desde muito cedo, freqüentam praças e asfaltos, à procura de um lar e de comida; ou, talvez, em malabarismos ao fechar dos semáforos de trânsito ou, ainda, vendendo balas e doces ao adentrar de cada vagão do metrô. Sandros e mais Sandros, em Candelárias e ônibus... Crianças de sete anos laborando em lavouras de laranja ou cana de açúcar; prostituindo-se, aliciadas que são pelo turismo sexual, trocadas, alienadas. Seduzidas pela mercancia ilícita de drogas, preferindo “viver pouco como um Rei, que muito como um Zé”, tal como canta Mano Brown, dos Racionais MC’s. Mortos, precocemente, aos quinze ou dezesseis anos, não mais que isto, no luto de companheiras e filhos, os filhos dos filhos, em busca de cidadania.



Sem margem à dúvida, deve-se buscar, dentre todas as possibilidades, uma real mudança diante da realidade aparentemente estática das relações sociais, in casu, dos adolescentes em conflito com a lei, bem mais por razões éticas do que de ofício. Afinal, por também serem humanos e acima de tudo cidadãos, gente como a gente, devem ser respeitados. Alheio, pois, a qualquer juízo de valor, sem que com isso se comprometa o premente luto às vítimas, o que se mostra irrenunciável.



Fora uma experiência maravilhosa. Um aprendizado para muito além da oficina, mas de vida.

* Bacharel em Direito. Seu mais recente livro publicado é: “Do ato infracional à luz dos direitos humanos” (2009).

domingo, 19 de julho de 2009

crônica - ronaldo duran




ÍDOLO*





As mãos estavam atarefadas em deslizar pelas pernas macias o creme de óleo de amêndoas. Após o banho quente, o complemento incluía, além do hidratante, a escova nos cabelos e mil outros pequenos detalhes tão afeitos à vaidade feminina. A porta do banheiro da suíte estava aberta para ouvir a televisão do quarto de casal.



“O cantor Michael Jackson faleceu devido a uma parada cardíaca...”, a voz do apresentador do jornal das oito a despertou de preocupações consigo mesma. Ela correu para o quarto como um torpedo. Estava morto o ídolo do tempo em que era menina. Ficou pasma da coincidência. Hoje, na hora do almoço, conversando com uma colega do escritório, tocara no nome do cantor. Devido à rádio que tocava no momento uma música da década de 70.



_ “Essa é do tempo da brilhantina”, puxou conversa.



_ “É, e eu curti”, comenta a outra.



_ “Embora fosse minha época, pois sou de 69, não cheguei a aproveitar este tempo.


Impossível ir para discoteca com menos de oito anos de idade”, riram. “Agora peguei o Michael Jacson no tempo do Thriller, em 1984. Fazia sucesso”, disse para amiga.



Ela ali diante do televisor, ouvindo que o Michael havia morrido. Se o acontecimento fosse há dez anos, teria chorado, se descabelado. Nunca fora em shows, mesmo porque o cantor raramente veio ao Brasil. Não por falta de vontade. É que inexistiam chances à época de ela ir a qualquer cidade do mundo na qual o cantor estivesse se apresentando. Era fã comum. Comprara disco, fita e, recentemente, CD e DVD para apreciar o músico.



Quando o ídolo morre é dureza. A mídia ajuda a aguçar o sentimento de tristeza, de perda. Imagens mostrando este ou aquele detalhe para recordar os momentos áureos do artista. Mesmo os que pouco davam trela para o sujeito à época, ficam sensibilizados com a exposição da trajetória de vida do famoso. Para os fãs legítimos, o choro é inevitável. Na hora que chega aos ouvidos a morte do ídolo há baqueado, uma falta de rumo momentâneo. Assemelha-se à perda súbita do emprego ou da morte inesperada de um parente.



Às vezes o impacto não ocorre de imediato. Ela recorda do acontecimento envolvendo os Mamonas Assassinas e Renato Russo em 1996. Era a primeira vez que ídolos seus morriam. Sim, Airton Senna foi antes, mas ela nunca gostou muito de Fórmula 1. Na verdade era a primeira vez que a morte se apresentava tão de perto. Estava na faculdade. Comia um lanche na cantina. Na tevê, a reportagem. E os colegas vidrados na tela. Com a indiferença de céticos, uns zombavam: “é jogada de marketing”, diziam, “onde já se viu dá tanta importância para artista a ponto de virar comoção nacional enquanto nas favelas morrem pilhas de seres humanos todos os dias”. Os fãs, por sua vez, ficavam silenciosos, absorvendo cada gota de notícias e em estado comovente.



Hoje, ela estava sozinha. O marido ainda no serviço. E a obrigação de tratar das duas crianças. Quando por fim os filhos estavam arranjados, banho tomado e alimentados, ela pôde sentar-se no sofá. A mão tateava entre vários DVD em busca do DVD do Michael. Leu a resenha na contra-capa. Mas devolveu o DVD à estante.



Ouviria o DVD quem sabe outro dia. Resolveu dar espaço à televisão. Seria certeiro que apareceriam imagens do músico desde o tempo do The Jackson Five, quando cantando com os irmãos maiores, até as últimas crises de saúde e de personalidade. Destaque para o dia que apareceu com o filho bebê na janela do prédio. Ela sofria pela alma atormentada que acreditava ter o músico, querendo se destacar numa sociedade que por décadas colocara o negro como cidadão de segunda classe. As tentativas de afinar o nariz e europeizar o rosto teriam sido fruto danoso do American Way?



O que importa é que ele veio, cantou, fez gerações se apaixonar por seu estilo, e agora sai da vida como um artista sai do palco.




*Ronaldo Duran, romancista, escreve em jornais. Visite o autor no google.
Contato: ronaldo@ronaldoduran.com

marcos brunini - psicologia evolucionista

POR QUE A IDADE DA PUBERDADE TEM DIMINUÍDO NAS ÚLTIMAS DÉCADAS? II[1]

por Satoshi Kanazawa[2],
























A teoria da estratégia reprodutiva condicional destaca a importância de influências ambientais no timing da puberdade e sugere que as meninas usam a presença ou a ausência de seus próprios pais no lar como um indício do nível provável de investimento paterno que podem esperar de seu companheiro quando começarem a reproduzir. Se seu próprio pai é ausente, aprendem que os homens não são confiáveis, ao passo que se seu pai é presente, daí aprendem a confiar nos homens. Entretanto, há uma peça que falta nessa explicação.

Para que a estratégia reprodutiva condicional evolua entre mulheres, a tendência dos homens para a formação de relacionamentos compromissados e a realização de investimento parental, ou seja, quão confiáveis os homens são como uma fonte de sustentação material, deve ser estável através de gerações. A experiência da mãe com seus companheiros deve ser altamente prognóstica da experiência da filha, uma geração mais tarde. Como isso poderia ocorrer?

Uma hipótese é que as meninas usam a presença ou a ausência do pai em casa como um indicador da instituição casamento na sociedade. Sob esse ponto de vista, a ausência do pai não significa necessariamente a falta de vontade do homem em engajar-se em relacionamentos de longo prazo, mas um alto nível de poligamia na sociedade. Em uma sociedade altamente polígama os homens casados são distribuídos entre suas múltiplas esposas, e não podem passar muito tempo com qualquer delas, nem com sua prole. Assim, quanto mais polígama a sociedade, menos tempo as meninas (ou meninos) ficam com o pai. Ao contrário, em sociedades monógamas, os homens casados têm somente uma esposa, assim podem passar todo seu tempo com sua esposa e crianças. O grau de ausência do pai poderia ser um indicador de micronível (dentro da família) de um grau, em macronível (dentro da sociedade), de poligamia.

Em sociedades polígamas há um incentivo para que as meninas amadureçam cedo, porque toda menina púbere pode se transformar em uma esposa júnior de um polígamo rico, enquanto uma menina pré-púbere não pode. Por outro lado, não há nenhum incentivo para que as meninas amadureçam cedo em sociedades monógamas, porque todos os homens adultos em tais sociedades já são casados (e não podem se casar outra vez). Dada a taxa de presença de pessoas do sexo masculino e feminino de aproximadamente 50-50, as meninas púberes somente podem casar com adolescentes novos, que não têm a riqueza ou o status para sustentar uma família.

Consistente com esta lógica, uma análise de dados interculturais mostra que as meninas entram na puberdade significativamente mais cedo em sociedades polígamas e em sociedades ditas monogâmicas, mas com uma incidência elevada de divórcio (e assim com uma incidência mais elevada de poligamia serial). Desta perspectiva, a idade média da puberdade caiu acentuadamente nos Estados Unidos nas últimas décadas porque a taxa de divórcio (e assim a incidência de novo casamento para homens, isto é, poligamia serial) aumentou dramaticamente.

O mecanismo bioquímico pelo qual o divórcio parental precipita a puberdade mais cedo nas meninas não é conhecido. O psicólogo evolucionista do desenvolvimento Bruce J. Ellis, da Universidade do Arizona, sugere que os feromônios (uma substância química que viaja de um indivíduo a outro para que o primeiro influencie o comportamento do último) emitidos pelo padrasto e por outros homens não relacionados ao agregado familiar possam provocar a antecipação da puberdade nas meninas. Este é um dos mistérios ainda presentes na psicologia evolucionista.




Pesquisa e tradução: Marcos Brunini (marcosbrunini@yahoo.com.br)






[1] Why has the age of puberty declined in recent decades? II, disponível em http://blogs.psychologytoday.com/blog/the-scientific-fundamentalist/200810/why-has-the-age-puberty-declined-in-recent-decades-ii, acessado em 04/02/2009.

[2] Satoshi Kanazawa, psicólogo evolucionista, leciona na London School of Economics and Political Science e é coautor (com Alan S. Miller) de Por Que Homens Jogam e Mulheres·Compram Sapatos - Como A Evolução Molda Nosso Comportamento. Rio de Janeiro: Prestigio Editorial. 2007.

domingo, 5 de julho de 2009

short story - dancing with the diapers


DANCING WITH THE DIAPERS*


by ronaldo duran**



HAPPY is the one who's never felt a twinge of jealousy for the famous, for those whose faces are plastered all over the TV, playing the entertainment game.


THE games are legion. Soccer, soap operas and music are the most popular ones. The leftovers are journalists, politicians, economists, union leaders, and even gynecologists. As for writers, they have their place, albeit minor.


WHOEVER has a face that's recognized by millions of Brazilians has a certain special something. That's what the public thinks, anyway, even though such a thought has never entered the mind of the famous person.


WHAT young girl, thrilled by the shimmy and shake of a famous dancer, hasn't dreamed that if her hips were just a bit more sexy she could be just as famous?


THE fever to imitate our idols is as old as the hills.


AGES ago, heads of tribes, kings and queens were imitated. Nowadays, the mass media has given us a new crop of idols.


WHO has never fought, hit, been hit, suffered or thrilled for their favorite team? Who has never cried or felt their soul take off when they hear a great singer? Or wanted to be a star’s shoes? Or fallen for an actor?


IT'S a hard task to explain the phenomenon of idolatry. For some, the reason is the apparently easy life an idol leads. For others, it's the attitude some famous people have that they admire.


THIS story is about the second reason.


DO you remember Madonna’s success in the 1980s? It was a benchmark. Her style influenced the rhythm of many dancers who went on to become professionals. High and low impact dance. The rhythm of the Queen of American pop affected even Brazilian dance schools.


IN 1987, many young people pushed back the tables and chairs to clear a space to dance as soon as they heard the blonde singer. What local radio station could avoid Madonna's contagious sound? Even TV channels were showing her video clips.


TÂNIA Paliza Tallini, at age 16, was one of those anonymous dancers. From the state of Santa Catarina, she still lived in Lages, the city where she was born. She'd moved, but only out of her old neighborhood to the new downtown area. She's been living with her parents in an apartment for the past ten years. Her childhood had been spent in her grandparents’ home in the oldest part of the city. All you had to do was look at the architectural style of the neighboring houses to tell. Like most of the others, their house had a backyard big enough to have an orange tree and an avocado tree among other non-fruit-bearing trees, and a vegetable garden with vegetables that went straight from the garden to the pot. The children used the space to play, to run freely. Sheer joy, everything was just right -- even Grandma's curses when they stepped on her plants.


TÂNIA preferred to spend most of her time at her grandparents’ house. Why there instead of her well-located and more comfortable apartment? Simple: the apartment was too small.


THE second daughter of Mrs. Paliza, young Miss Tallini felt too cramped in the apartment to do what she liked best: dancing to Madonna's music. At her grandmother’s house at least there was an empty room. It had belonged to her uncle who had gone to the countryside of São Paulo to try his luck as a stonemason more than ten years before.


GRANDMOTHER was always busy with her sewing. Despite her pension, help from her children and her husband’s salary, she hadn't given up this pastime. It was a way of making herself useful. She also enjoyed preparing special lunches on Sunday.


DONA Evangelista knew better than anyone why her granddaughter preferred her humble home. Years before, the little girl had charmed everyone with her love of dancing. Dona Evangelista, at the time, had been filled with emotion knowing that her own grandmother had been a first class dancer. In Seville, who other than the Palizas would bailar por toda la noche, ah, yes, dance all night long? For her, her granddaughter had inherited great-great-grandmother's irresistible and enchanting talent for the dance. It was a pity that here in Brazil the women of the family had lost their love for the dance in the daily routine of immigrants. The planting and harvesting of corn and potatoes didn't even leave them time for a restful siesta after lunch.


GRANDMOTHER let her do what she wanted, and so Tânia felt inspired to go there for a good many years. But it's a pity that all things come to an end. All it took was for her to turn seventeen, and her years of peace came to an end. It was time to decide on a promising career or a good marriage – both if possible.


GIVING in to her natural maternal concern over her children's future, Tânia's mother Vânia wanted a decision from her daughter. Her oldest child had studied chemistry in Joinville. The youngest one, Helena, had won a scholarship to college in the United States, starting the following year. Dona Paliza's boss, wife of a wealthy farmer, had helped her out. Her husband had important contacts in Texas. Helena had her good points. She was studious and had learned to type, answer the telephone and take messages. She was the couple’s junior secretary.


TÂNIA was the one who was stuck. She demonstrated an uncommon laziness for studying, even though she'd never been held back at school. Afraid of her parents, she thought it was better never to fail an academic year. Her grades were reasonable. She was good at pretending. But inside, she hated biology, Portuguese and everything else that demanded concentration that she was unwilling to give.


DANCING, dancing and more dancing was what she liked.


CERTAIN regional habits, even with globalization and the tyranny of TV, somehow manage to survive. The young people from the Santa Catarina countryside rarely have access to all the freedom available in large cities.


HER passion for dancing was indulged only at home. At dances and parties, Tânia felt a little awkward. She hated showing off. It was a strange feeling, considering how much she enjoyed dancing. But her dislike of showing off had its reasons. When she loosened up and let herself dance freely a few times, some idiots teased her and made wisecracks. That's why she held back. She would dance the regular way in front of these ignorant people, and save the special way for when she was alone.


PREJUDICE had followed her from a tender age up to the middle of her thirteenth year, when she finally risked dancing in front of her parents and relatives.


_ LOOK at that girl! She jumps around like a billy goat, said one of her aunts.


_ A chicken with its head cut off, joked an older cousin.


_ IF you ask me, continued the aunt, I think you should keep an eye on her...this is the kind of thing that takes our children from us. You have to keep your eyes open, she repeated, adding a few more alarming warnings.


HER parents kept quiet.


_ CAN you imagine how it would be if she decided to make a living at that some day? she jabbed.


_ NOT a chance! Over my dead body! No daughter of mine will get involved in that kind of thing, bellowed her father.


_ THE world is lost today, my friend, and these big-city fads have already ruined a lot of people. After they go off half-cocked, not even a Saint can save them.


_ GOD help us, said an old lady, crossing herself.


_ IT’S the parents’ fault, just give them a good whipping and everything will be all right, the father ruminated.


AFTER that, Tânia's parents changed radically in the way they treated her. When they saw her dancing, they'd ask her to do something, anything: wash the dishes, sew, go with her mother to the butcher. And if there wasn't anything to do, they would make something up. They wanted to tear her away from that idle life. Disco music vanished from the house and AM radio took over whenever her parents were at home.


THE daughters were financially dependent on their father, so he believed he had every right to stop them from buying that awful modern music.


TÂNIA felt cornered. God-fearing and very obedient to her parents, she would do just about anything to avoid disappointing them. She started going to her grandmother’s house.


THREE months later she met a nice boy, Joe Rinkis, who was twenty-one. His kind words and warm glance were what made him different. Joe was a truck driver. He worked with his father, and they made deliveries to cities in Santa Catarina, Paraná and Rio Grande do Sul. Joe and Mr. Rinkis became fond of Tânia’s father. The feeling was mutual.


AFTER dating Joe for a year, Tânia, who disliked studying intensely, went through moments of desperation. She dreamed of running away from home, going to Joinville, Florianópolis or Curitiba. She would look for a place to study, perfect her technique and make a living as a dancer. Although she liked Joe, she would not hesitate to leave him if she had to, if he didn't want to go with her.


BUT obedience to her parents stopped her from doing anything so drastic. Her grandmother fell ill and passed away. Five months later her grandfather followed his wife, beckoned by his solitude.


_THEY'D lived together for more than fifty years. The man was a child… with his companion gone, he lost his will to live.


SUCH phases justified her grandfather’s sudden passing.


AFTER the pain of her grandparents' loss had passed, Tânia realized that she had lost her dancing space. Day-to-day life in the apartment was becoming more and more unbearable. Her parents were traditional, nevertheless they were far from the type who wanted their grown sons and daughters tied to their apron strings.


MARRIAGE to Joe seemed like a quick solution. The boy’s father would arrange a simple but comfortable house.


SOME months after the wedding, contractions in Tânia's womb announced the birth of a child.


TÂNIA felt fulfilled as a mother. She sincerely liked her husband. But she felt frustrated by not having a career when she compared herself to her older sister, the only one in the family to graduate from college, or the youngest one, away in the United States for two years.


JOE, already the owner of his own truck, spent on the average one or two weeks on the road, without showing his face at home.


THE doctor encouraged Tânia to exercise after the birth of her baby.


_ IT helps a lot.


BUT what exercise? She only liked dancing.


PARTLY because of her husband’s absence and partly because of the stress of bringing up a small son, she picked up her old habit of listening to music in the living room. Joe had bought her a stereo.


FOR the first time, she had Madonna’s album all to herself. She listened to it for hours. Listened and danced. And how she danced! She was so excited. It was hard for the neighbors not to notice the beautiful body the housewife-dancer had kept. A little later, she became a mother for the second time.


OFTEN people passing by the red-painted gates would be surprised. They would stare at the enthusiastic figure, less than 22 years old, dancing with the diapers as she hung them on the clothesline.


SOME of them thought she was crazy. But others realized that happiness had found a true home in her.



* Novelist, he writes for newspaper each week.




** Translated by American journalist Amy Duncan from the original text in Portuguese "DANÇANDO COM AS FRALDAS".


marcos brunini - psicologia evolucionista


POR QUE A IDADE DA PUBERDADE TEM DIMINUÍDO NAS ÚLTIMAS DÉCADA? I[1]



por Satoshi Kanazawa[2]



A idade média da puberdade declinou regularmente na maioria das sociedades ocidentais no século passado. A melhora da nutrição é certamente uma razão para a idade mais adiantada da puberdade. Mas há uma outra causa potencial para ela.

Os psicólogos do desenvolvimento sabem já há duas décadas que as meninas cujos pais se divorciam cedo em suas vidas, particularmente antes de seus cinco anos, experimentam a puberdade mais cedo do que aquelas cujos pais permanecem casados. Meu companheiro, blogueiro do Psychology Today (e também companheiro de exílio em Londres), Jay Belsky estava entre os que fizeram as principais contribuições teóricas nesta área, há quase 20 anos. As meninas cujos pais se divorciam cedo em suas vidas têm igualmente maior probabilidade de começar sua vida sexual em uma idade mais precoce, ter um número maior de parceiros sexuais, ficarem grávidas ainda na adolescência, e se divorciarem no primeiro casamento.


Desde que a finalidade biológica da puberdade é marcar o início da possibilidade reprodutiva, faz pleno sentido evolutivo que as meninas que entram na puberdade mais cedo comecem a se relacionar sexualmente, tenham mais parceiros sexuais, e fiquem grávidas mais cedo. (Recorde aqui os perigos da falácia naturalista. Apenas porque algo faz pleno sentido evolutivo não significa que é bom ou desejável.) Mas por que a presença ou a ausência do pai em casa durante a primeira infância afeta a idade da puberdade e assim o início e a promiscuidade da atividade sexual?

Há duas explicações competindo entre si. Uma é que as meninas que experimentam a puberdade cedo são geneticamente diferentes daquelas que a experimentam tarde. A outra explicação é que as meninas têm composição genética similar, mas respondem ao ambiente diferentemente, começando a puberdade cedo ou tarde. Afinal, qual modelo está correto?

No caso do timing da puberdade, ambos os modelos provavelmente estão parcialmente corretos. Na sustentação do modelo genético, há uma evidência substancial de que o timing da puberdade de uma menina é em grande parte hereditário: cerca de metade de sua variação é explicada por diferenças genéticas. Neste modelo, as meninas que entram cedo na puberdade têm, simultaneamente, maior probabilidade de um divórcio por causa de sua maior tendência para a promiscuidade sexual, bem como de passar para suas filhas os genes de sua puberdade precoce – maior promiscuidade.


Como conseqüência, as meninas que crescem sem um pai (porque sua mãe se divorciou ou nunca foi casada) têm maior probabilidade de experimentar a puberdade mais cedo e se tornarem mais sexualmente promíscuas, pois herdaram os genes que as predispuseram a isso.


Ainda que a evidência ampare o modelo genético, as influências ambientais podem igualmente afetar o timing real da puberdade dentro da janela ajustada pelos genes. Este fenômeno é similar a outros traços biológicos, tais como a altura, o peso, ou a inteligência. A altura, por exemplo, é altamente hereditária, de modo que os filhos de pais altos na média tornam-se mais altos do que crianças de pais mais baixos; os genes estabeleceram os limites da altura adulta potencial. Dentro destes limites, entretanto, as influências ambientais, tais como a nutrição ou a exposição da infância à doença, podem determinar a altura adulta real.

A outra metade da variação do timing da puberdade não é explicada pelos genes, portanto as circunstâncias ambientais podem influenciar o início real da puberdade dentro da janela ajustada pelos genes. Uma das influências mais importantes da primeira infância é a ausência do pai. Neste modelo, as meninas que crescem sem um pai aprendem que os homens não constituem relacionamentos duráveis com mulheres e não investem em sua prole.


Estas meninas adotam então uma estratégia reprodutiva mais promíscua de submeter-se a puberdade cedo e ter relacionamentos de curto prazo com um grande número de parceiros sexuais, porque pressentem que não podem confiar nos homens para dar forma a um relacionamento compromissado e fornecerem investimento parental em sua prole.


Ao contrário, as meninas que crescem com um pai em casa aprendem lições opostas, ou seja, que os homens constituem relacionamentos duráveis com mulheres e investem em sua prole. Estas meninas adotam então uma estratégia reprodutiva mais contida, consistindo em atrasar sua puberdade e ter relacionamento de longo prazo compromissado com um parceiro que invista em sua prole. Consequentemente, a presença ou a ausência de um pai no lar de uma menina antes dos cinco anos pode explicar a idade de sua puberdade e sua estratégia reprodutiva.

Até aqui, tudo bem. Mas se você realmente pensar sobre, há um enorme furo lógico nesta teoria ambiental do timing da puberdade. Discutirei qual é no próximo post.




Pesquisa e tradução: Marcos Brunini (marcosbrunini@yahoo.com.br)

[1] Why has the age of puberty declined in recent decades? I, disponível em http://blogs.psychologytoday.com/blog/the-scientific-fundamentalist/200810/why-has-the-age-puberty-declined-in-recent-decades-I, acessado em 04/02/2009.

[2] Satoshi Kanazawa, psicólogo evolucionista, leciona na London School of Economics and Political Science e é coautor (com Alan S. Miller) de Por Que Homens Jogam e Mulheres·Compram Sapatos - Como A Evolução Molda Nosso Comportamento. Rio de Janeiro: Prestigio Editorial. 2007.

nelson valente - educação


COMO GARANTIR APRENDIZAGENS SIGNIFICATIVAS



por Nelson Valente*



Devemos lembrar da importância do reforço no processo de ensino-aprendizagem. Muitas vezes o aluno necessita receber estímulos para agir. Os estímulos utilizados pelo professor para motivar os alunos são denominados incentivos. São importantes recursos didáticos e devem ser frequentemente utilizados.


Para ser eficiente, a incentivação deve-se basear na curiosidade natural do aluno sobre o mundo que o cerca e em sua necessidade permanente de ação.


A incentivação será bem sucedida se provocar prazer no aluno em realizar a atividade; se apresentar ao aluno desafios em grau de dificuldade adequado ao seu nível de conhecimento; se for contínua com feedback constante e reforço ao comportamento desejado; e se permitir ao aluno avaliar seu progresso na atividade.


Uma incentivação bem sucedida propicia a participação ativa de todos os alunos. Isto porque eles se sentirão apoiados pela orientação do professor; seguros para expor suas dúvidas; estimulados a debater suas ideias; tranquilos para apresentar exemplos pessoais; ansiosos para demonstrar o que aprenderam; e desafiados a executar as atividades seguintes.


Este clima de confiança e estímulo deve prevalecer sempre em sala de aula. Ele favorece aprendizagens significativas para os alunos. A partir dele e sob a orientação do professor o aluno terá condições de:classificar, escolhendo critérios apropriados;relacionar assuntos novos aos anteriormente aprendidos;analisar, identificando partes principais e secundárias da questão;sintetizar, fechando sua aprendizagem;aplicar os novos conhecimentos em situações de vida prática.


O professor pode, a partir de um processo de ensino-aprendizagem, conduzindo dessa maneira, ter certeza de haver alcançado seus objetivos.


É importante lembrar que os estímulos utilizados pelo professor são importantes recursos didáticos e, estes estímulos devem despertar a curiosidade do aluno e motivá-lo para a ação. Uma incentivação bem sucedida propicia a participação ativa de todos os alunos. Um clima de confiança e estímulo deve prevalecer sempre em sala de aula, pois favorece aprendizagens significativas para os alunos.


Como conduzir ao fechamento da aprendizagem


Conduzir ao fechamento da aprendizagem significa proporcionar condições que permitam ao aluno relacionar experiências anteriores com as atuais, bem como as atuais com as futuras. O aluno deve ser capaz de reorganizar essas experiências e expressar a aprendizagem, principalmente, aplicando o aprendido em situações novas.


Além dos procedimentos já descritos que visam possibilitar maior participação dos alunos, o professor deve, ainda, realizar os seguintes procedimentos essenciais ao fechamento da aprendizagem.


1. Fazer a extensão do aprendido - Utilizar procedimentos tais como:


iniciar as aulas com a revisão dos conteúdos já estudados e que serão necessários à nova aprendizagem;


fazer perguntas de sondagem sobre o que os alunos conhecem do assunto;


e realizar atividades em que possa observar os comportamentos dos alunos, visando identificar pré-requisitos. Ao longo do desenvolvimento das atividades ou ao final, é imprescindível que o professor relacione os conhecimentos anteriores, atuais e futuros, promovendo a extensão do aprendido.


Por exemplo: o professor inicia o estudo dos meios de transporte da região, questionando os alunos sobre como vieram para a escola, onde e como costumam ir etc. Assim, o estudo inicia-se a partir de conhecimentos anteriores.


Outro exemplo: o professor explica os tipos de transportes da região, associando-os às experiências que os alunos possuem com o uso de transportes e cria situações para que os alunos identifiquem novas possibilidades de uso dos transportes, prevejam tipos de transportes que possam ser adotados no município etc. Assim, ele liga os conhecimentos atuais aos anteriores e abre perspectivas futuras.


Possibilitar a aplicação dos conteúdos - Criar condições para que os alunos exercitem os comportamentos especificados no(s) objetivo(s); apliquem os conceitos, princípios, normas etc.; treinem procedimentos; desenvolvam habilidades; e incorporem atitudes etc.


Por exemplo: o professor explicou aos alunos os componentes do ar e propõe a realização de experiências que comprovem a existência dos componentes estudados.


Fazer revisão dos tópicos principais - retomar os aspectos fundamentais do conteúdo desenvolvido. Estas revisões podem ser realizadas ao longo do processo ou ao final.


Por exemplo: o professor trabalhou com o grupo a técnica de redação de cartas. Relembra com o grupo as partes que compõem a carta e, em seguida, pede que redijam. Após a correção da atividade poderá fazer novamente um rápido resumo.


Evidências: há habilidade de fechamento da aprendizagem?


Verifica-se o domínio desta habilidade por meio das seguintes questões:


O professor partiu de algum conteúdo conhecido do aluno?


Houve trabalho prático aplicando os conceitos aprendidos? O aluno exercitou os conteúdos estudados?Houve utilização de ideias ou conceitos em situações novas? Houve extensão do conhecimento para situações novas ou aprendizagens futuras?


Foram evocados pontos principais do conteúdo? Foi feita revisão?


Os alunos demonstraram interesse pelo conteúdo desenvolvido?


Houve participação de todos os alunos?


O professor variou a situação-estímulo?


O professor formulou perguntas adequadamente?


O professor utilizou exemplos corretamente?


O professor reforçou os alunos durante a aula?


CONCLUSÃO


O objetivo deste artigo foi demonstrar as diversas habilidades que o professor dispõe, sendo ele um agente mediador na relação ensino-aprendizagem, diante de uma formação acadêmica desvinculada com a realidade educacional, cuja desmotivação é a falta de conhecimento da elaboração de um bom planejamento, falta de treinamento didático-pedagógico e acaba comprometendo todo o processo de ensino, evidenciando que o mesmo não domina a habilidade na arte de ensinar, de formular perguntas, na habilidade de se comunicar, na habilidade de ilustrar com exemplos, na habilidade de empregar reforços e na habilidade de aumentar a participação dos alunos para o fechamento da aprendizagem.


O professor deve ser o inspirador do aprendizado das matérias. Ele retomará o lugar que lhe é devido na sociedade quando despertar do marasmo comodista e partir para o devotamento profissional e a ação amorosa. Para isso deve pesquisar, inovar e incrementar seus conhecimentos pedagógicos, expandir sua cultura geral e procurar conhecer e desenvolver novas técnicas de ensino.


O professor que deseja realizar uma boa atuação docente sabe que deve participar, elaborar e organizar planos em diferentes níveis de complexidade para atender, em classe, seus alunos. Pelo envolvimento no processo ensino-aprendizagem, ele deve estimular a participação do aluno, a fim de que este possa, realmente, efetuar uma aprendizagem tão significativa quanto o permitam suas possibilidades e necessidades.


O professor utiliza uma série de procedimentos, visando receber o retorno de suas ações e, ao mesmo tempo, dar ao aluno o retorno das suas próprias ações. Desta forma, o professor vê o processo de ensino-aprendizagem de forma horizontal, como uma via de mão dupla, onde ambos aprendem e assim, ensinam, estando, com certeza, mais aberto para dar, receber e trocar experiências.


Esperamos, que este artigos possa contribuir para os meios acadêmicos, principalmente, àqueles que almejam lecionar, desenvolvendo novas habilidades na relação ensino-aprendizagem.Concluímos que a conscientização profissional deve ser um paradigma para o desenvolvimento de uma nova postura didática-pedagógica, frente às habilidades em prol dos alunos.


O assunto não se esgota por si mesmo, que poderá ser revisto e desenvolvido em outras situações semelhantes à que foi apresentada neste artigo.


É professor universitário, jornalista e escritor.