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domingo, 27 de junho de 2010

CRÔNICA DA SEMANA - BOLÃO CONTRA

fonte: blogs.diariodepernambuco.com.br








Olá, Amigo Leitor,


Não se trata de pisar em ovos, mas quem torce contra
o Brasil não se sinta chateado. É apenas literatura.

Que você aprecie a crônica.


Abraços,

Ronaldo




BOLÃO CONTRA*





_ Vai dizer que de novo apostará contra o Brasil?

_ Alguém tem que fazer o trabalho sujo... – mostrou um sorriso comedido.

Eram mais de quarenta pessoas na repartição. Como brasileiro ama futebol, e venera a Seleção, ficam as possibilidades cada vez mais estreitas. Na liderança vinham as apostas no 2x1. Os mais tímidos ou receosos ficavam com o 1x0. Os 3x, 4x, 5x representavam a turma dos animados. E se muitos querem apostar contra o Brasil, poucos têm a coragem de pôr o desejo em prática.

_ Soa tão pouco patriota? – alguém fala.

_ É a pior demonstração de avareza, mesquinharia pura – outra segue o embalo das reprovações sociais.

_ Nada. Ele só está apostando... Que graça tem se todos arriscarem na vitória do Brasil – o duas-caras do grupo buscava defender o colega, embora que em sua ausência os comentários fossem mais evasivos.

O polêmico sujeito nem aí para as críticas. A bem da verdade, curtia o Brasil, torcia a cada jogo para vitória, quase como um apaixonado. Mas paixão é paixão, e negócio à parte. No princípio, inventou de ser contra o Brasil mais para a turma do Bolão se indignar e o deixar em paz do que realmente torcer para derrota brasileira.

Não foi uma nem duas vezes que se recusou a participar das apostas anteriores. Agora, em 2010, depois de duas copas recusando participar da jogatina, acabou cedendo. O convite era insistente, e com ele a deixa de antissocial, quando da recusa, produzia mal-estar nele diante do grupo.

_ Mas daí quererem escolher minha aposta... Vão tomar no c. todos! Vou apostar em quem eu quiser.





Apesar de ser homem quieto, de poucas palavras, vendo-se provocado pelos colegas, hora e outra dá respostas que torna a relação espinhosa.

_ Enquanto o Brasil passou com 2x1 apertado pela Coreia do Norte, Portugal meteu 7x0. Será que desta vez eu levo o Bolão?

_ Sai para lá urubu... Vai azará outro. O Brasil encontrará forças para bater mais este adversário.


_ É o que todos esperamos – haveria uma gota de sarcasmo da parte dele? De qualquer maneira os defensores do Brasil não baixaram a guarda.

_ Menos você... Quem aposta por dinheiro que o próprio País vai ser derrotado, pouco amor nutri...

_ Pode ser... Mas não no meu caso. Se o Brasil ganhar não ficarei triste.

_ As mulheres, mais passionais, queriam voar em cima dele, esbofeteá-lo, tamanho o desconcerto que a observação lhes provocava.


Longe do serviço, no conforto do lar, curtindo a solidão de um divorciado, cujas filhas já estão encaminhadas na vida, e diante de um namoro que se desponta no horizonte, ele é completamente diferente.
Na hora do jogo, quem o visse em casa não o reconheceria. A sala de estar pronta para assistir o jogo do Brasil. O peito e cabeça latejando a cada lance errado da Seleção brasileira. Xingando adoidado a cada investida do adversário. Morde os dedos, anda para lá e para cá. Reclama do árbitro – eterno ladrão quando pune o time que torcemos.

O gol que chega dá vontade de rir, de vibrar, de chorar, de pular. Ele não passa vontade, soltando a tensão que o atormentou.


É a característica da vida privada de muitos: nem sempre anuncia o objeto de prazer aos quatro ventos.




* ronaldo duran, romancista, psicólogo, colabora em jornais. http://www.facebook.com.br/

segunda-feira, 21 de junho de 2010

CRÔNICA DA SEMANA - BIQUINI

Olá, Amigo Leitor,

Renovo o convite de você colaborar no Literatura Viva, caso queira.
Já temos nosso modesto escritório.

Agora, a luta é para conseguirmos uma sede
que dê espaço para os escritores e amigos circularem sem aperto.

Que a crônica abaixo agrade a você.

Abraços,



Ronaldo


Escritório Litetartura Viva

Rua Herval, 1074, São Paulo - SP

CEP 03062-000




                                             BIQUINI



Falta pouco. Em vinte minutinhos, estarei diante do mar. Nas curvas, vemos as primeiras imagens de Caraguatatuba. A pista está uma beleza, pouco movimentada, apesar de feriado. A Páscoa é um dos poucos feriados que a rodovia dos Tamoios não fica insuportável. Eu que o diga. Sou praieira de carteirinha. Curto sair do estresse. Preciso mergulhar na água salgada, sentir meus pés na areia, a bruma lambendo meu calcanhar, a batata da perna, minhas coxas.


Esse hábito é desde o tempo de namoro. Ele foi quem numa quinta-feira me trouxe para cá. Antes eu vinha somente nas férias familiares. Foi tipo travessura. Estávamos trabalhando, e saímos para almoçar. Quando deu na louca de me convidar para irmos para Caraguá em vez de enfrentar o trampo à tarde. Pensei que estivesse brincando. Logo ele tão centrado. Por isso não me opus, achando que fosse brincadeira. Quando passamos Paraíbuna, percebi que não era blefe. Descemos. Ficamos pela primeira vez a sós. Nosso caso acabou, mas o prazer em descer para o litoral permaneceu.



Daquele dia em diante, passei a ver a praia como fonte de repor energias. Trabalhando num escritório de venda de maquinário, no estresse diário de fechar vendas, eu torço quando um feriado pinta. Eu mereço.


Gosto do meu corpo. Adoro meus biquínis. Longe de ser presunçosa, mas é tão bom ver que os outros apreciam também. Os garotos, os homens e as mulheres. As mulheres exibindo no rosto uma inveja ora elogiosa ora despeitada. Os garotos buscando o desconhecido. E os homens? Muitos, malícia pura. Nem ligo. Curto os olhares. Curto a brisa batendo em meus cabelos. Desfilar no calçadão, ao contrário de São Paulo, é precioso e relaxante.



Sendo morena, o sol me é um grande parceiro. Óbvio, me cuido. Nada de insolação, ou bancar a lingüiça assando. A arte de aproveitar a praia é conhecer limites.


À tardinha, visto o shortinho, a sandália, após tomar uma chuvarada, e os brincos, e vou caminhar, quando não caçar uma cachoeira na companhia de uma galera. Acampar faz parte do repertório. Solitária ou acompanhada eu desbravo áreas novas. Tenho um quê de exploradora.


À noite, quando não acampada em lugar exótico, dou uma volta no shopping ou na orla da cidade. Um show de rock ou pop anima. Bebendo pouco ou nada de álcool, estou inteiraça para aproveitar a praia de manhã cedinho no domingo. Minha referência é Caraguá, mas sempre dou um pulo em São Sebastião, Ubatuba. Adoro passear nos points de Ilha Bela.



* ronaldo duran, romancista, colabora em jornais brasileiros. www.facebook.com.br

domingo, 13 de junho de 2010

CRÔNICA DA SEMANA - O MUNDO NO ESCURO

Olá, Amigo Leitor,


Bom começo de Copa do Mundo para você.


Abraços,



Ronaldo




O MUNDO NO ESCURO



No ponto de ônibus, espero. Uma voz quer-uma-ajuda me conduz até aos degraus do coletivo. Ouço um zumzumzum de pernas estralando. Outra voz senta-aqui me aloja num banco. Suponho que seja o da primeira fileira em função dos poucos passos que dei. Geralmente os aceito. Desenvolvi um faro para saber não se tratar de mulher gestante, com criança no colo ou pessoas mais necessitadas que eu. Nesses casos, fico em pé.


fonte: www.poderoculto.blogger.com.br/

Hoje está fazendo um ano de carteira assinada. Há um ano, estava meio ressabiado, deslocado, ainda que seja do tipo extrovertido. Agora, parece confundir sua personalidade com a da empresa. Sabe as manhas. Esquiva-se das possíveis surpresas dolorosas, e goza antecipadamente as agradáveis. Ora paizão, ora terror dos novatos. Ora amigo, ora colecionador de desafeto entre os veteranos. Segue tendo a certeza que está no caminho certo.

É um pouco de mim. Dois anos atrás. O acidente na parte da manhã na fábrica, nunca quinta-feira. No domingo levantei, melhor, despertei dos remédios. O primeiro choque: o mundo no escuro. E procurei abrir os olhos, e a luz não aparecia. Senti medo. Um calafrio na espinha. Gritei. Drogaram-me de novo.


Mais calmo, quase conformado, duas semanas depois estava sentado na cadeira de rodas descendo a rampa. Livre do hospital, aprisionado à escuridão pavorosa. Em casa, somente as vozes davam um ar de família. Tudo o mais não existia. Que saudade chegar em casa, correr ao banheiro e despejar a água no sanitário. Tive que ser conduzido por meus irmãos.

Nunca fui o operário padrão, com foto estampada como funcionário do mês: para a alegria dos chefes, ódio dos colegas e mico de si mesmo. Contudo, sempre curti trabalhar. Tomar ônibus lotado, às sete da manhã, bem exprimido, pisado no pé. Quando alegre, vibrando pelo Timão e quando brabo xingando o presidente. Assovia pras gatas que atiçavam meu instinto. Gentil com quem me era gentil. Ah, tinha as peladas de fim de semana, e se me deixassem no gol, o pau comia. No mínimo, meio campo.


Não que a cegueira tenha afastado meus amigos. Eles vêm me visitar. Até me levaram pro futebol. Pena que a coisa não virava. Eu ali paradão. Como vibrar com uma jogada, se não a via? Como concordar que uma menina é linda se não a vejo? Pior, estando cego, como jogar com eles? A condição de coitadinho do grupo me encheu e dei um tempo.


Hoje, me sinto melhor. Claro, se pudesse voltar um ano atrás, fugiria do acidente. Encostado pelo INSS, já não trabalho na fábrica. Mas conheci uma ONG e toco música para crianças em creches e escolas de periferia.




*ronaldo duran, escritor, colabora em jornais brasileiros. contato: http://www.facebook.com.br/

domingo, 6 de junho de 2010

CRÔNICA DA SEMANA - ABDOMINOPLASTIA

Olá, Leitor (a),


Enfrentar uma cirurgia não é fácil.
E cada vez mais mulheres buscam este procedimento
para atingir o que julgam ideal de corpo.

Contudo, deve-se ter cuidado... para não se escravizar.

Abraços,

Ronaldo






                                                            ABDOMINOPLASTIA*





Um ditado a sacudia mais que a tensão pré-operatória. Trata-se da frase que ouvia quando criança: quem não tem o que fazer, inventa. Tinha a nítida impressão que a vontade que a motivara para estar ali prestes a ter o estômago rasgado era fútil, coisa de quem não tem o que fazer. Mas agora não dava para recuar.



Por que recuaria? Basta lembrar o que a motivou. Que se recorde, nunca tivera um corpo escultural. Contudo, depois da gravidez, a situação de sua barriga se complicou. Se aos vinte anos tinha orgulho de colocar um biquíni ou qualquer peça que deixasse a barriga à vista, mal chegou aos trinta para a decepção ofuscar o prazer de ir à praia.






Torturava-se. À praia, quando acontecia de ir, tinha poucas opções. O maiô se impôs de vez, sem espaço para os shortinhos muito menos para os biquínis. Ainda vinha rodeado de uma toalha, que a moda chama de canga. Entrar na água, que tormento. Tinha que tirar a canga e, envergonhada, ir-se timidamente para água. O alívio vinha quando submersa. Ali, todas eram iguais: jovenzinhas esbeltas e mulheres mais fofinhas.





A tortura não para por aí. A presença do marido igualmente a oprimia. Sim, ele é super gentil. “Imagina! Você não está gorda. Pelo contrário, está no ponto”. Estas palavras amenizavam, mas nem de longe resolviam o problema. Ele a ama. Nota-se. Mas era homem, insistia ela. Como não vê que os olhos dele quase sem querer seguem os ventres mais salientes que desfilam a beira-mar. Punha a mão no fogo por ele, que jamais seria traída. Como impedir, contudo, o estrago da comparação, ainda que não admitida, sequer percebida pelo marido, diante das outras mais atraentes.



Por vezes sentia que era injusta com seu corpo e com seu marido. O primeiro sadio, sempre a manteve longe dos médicos. Forte, que a possibilitava inclusive fazer caminhadas e andar de bicicleta como exercícios diários. O segundo, homem carinhoso, honesto e incentivador, tudo de bom. Por que então as idéias lhe perturbavam.




O que a fazia sofrer era a impressão de que não era atraente suficientemente para si nem para seu marido. Esse pensamento a perturbou tanto, tanto, que não teve jeito. Apelou para a cirurgia. Não fora de uma hora, claro. Havia anos que ouvira falar na abdominoplastia. Outros tantos anos passou conjeturando se deveria ou não se submeter.



Após a cirurgia, vai para o quarto. Um grande corte à altura da cintura de uma ponta a outra, dá mostra que a intervenção cirúrgica profunda e agressiva requerer um bom tempo de repouso. Com a cabeça ainda dopada, horas mais tarde despertaria com a sensação de dever cumprido.


*ronaldo duran, escritor, colabora em jornais brasileiros. Visite o autor nas páginas do google.

sábado, 5 de junho de 2010

FRANCÊS INSTRUMENTAL











INTRODUCTION À LA PSYCHANALYSE

Aqui seguimos com a segunda e última parte de Apresentação do livro Introdução à Psicanálise de S. Freud. Esperamos que apreciem o texto.

Postaremos o índice da obra a fim de o leitor poder acompanhar tranquilamente. Toda sugestão, basta nos enviar pelo e-mail literatura.viva1@gmail.com.  

Abraços,

Equipe Literatura Viva





Il y a toutefois des personnes pour lesquelles toute nouvelle connaissance présente un attrait, malgré les inconvénients auxquels je viens de faire allusion. Si certains d'entre vous appartiennent à cette catégorie et veulent bien, sans se laisser décourager par mes avertissements, revenir ici la pro¬chaine fois, ils seront les bienvenus. Mais vous avez tous le droit de connaître les difficultés de la psychanalyse, que je vais vous exposer.



 
Il y a toutefois des personnes - há todavia pessoas
nouvelle connaissance - novo conhecimento
un attrait - um atrativo
auxquels je viens - ao quais eu acabei
certains d'entre vous - alguns dentre vocês
sans se laisser décourager - sem se deixar desencorajar



 

La première difficulté est inhérente à l'enseignement même de la psycha-nalyse. Dans l'enseignement de la médecine, vous êtes habitués à voir. Vous voyez la préparation anatomique, le précipité qui se forme à la suite d'une réaction chimique, le raccourcissement du muscle par l'effet de l'excitation de ses nerfs. Plus tard, on présente à vos sens le malade, les symptômes de son affection, les produits du processus morbide, et dans beaucoup de cas on met même sous vos yeux, à l'état isolé, le germe qui provoqua la maladie. Dans les spécialités chirurgicales, vous assistez aux interventions par lesquelles ou vient en aide au malade, et vous devez même essayer de les exécuter vous-mêmes. Et jusque dans la psychiatrie, la démonstration du malade, avec le jeu changeant de sa physionomie, avec sa manière de parler et de se comporter, vous apporte une foule d'observations qui vous laissent une impression pro-fonde et durable. C'est ainsi que le professeur en médecine remplit le rôle d'un guide et d'un interprète qui vous accompagne comme à travers un musée, pendant que vous vous mettez en relations directes avec les objets et que vous croyez avoir acquis, par une perception personnelle, la conviction de l'existence des nouveaux faits.

à l'enseignement - ao ensino
vous êtes habitués à voir - você está habituado a ver.
à la suite d'une reaction chimique -  depois de uma reação química
on présente à vos sens - apresentamos a seu conhecimento 
C'est ainsi que le professeur en médecine remplit le rôle d'un guide - é assim que o professor de medicina preenche o papel de guia
la conviction de l'existence des nouveaux faits - a convicção da existência de novos fatos.


 

Par malheur, les choses se passent tout différemment dans la psycha¬nalyse. Le traitement psychanalytique ne comporte qu'un échange de paroles entre l'analysé et le médecin. Le patient parle, raconte les événements de sa vie passée et ses impressions présentes, se plaint, confesse ses désirs et ses émotions. Le médecin s'applique à diriger la marche des idées du patient, éveille ses souvenirs, oriente son attention dans certaines directions, lui donne des explications et observe les réactions de compréhension ou d'incompré-hension qu'il provoque ainsi chez le malade. L'entourage inculte de nos patients, qui ne s'en laisse imposer que par ce qui est visible et palpable, de préférence par des actes tels qu'on en voit se dérouler sur l'écran du ciné-matographe, ne manque jamais de manifester son doute quant à l'efficacité que peuvent avoir de « simples discours », en tant que moyen de traitement. Cette critique est peu judicieuse et illogique. Ne sont-ce pas les mêmes gens qui savent d'une façon certaine que les malades « s'imaginent » seulement éprouver tels ou tels symptômes ? Les mots faisaient primitivement partie de la magie, et de nos jours encore le mot garde beaucoup de sa puissance de jadis. Avec des mots un homme peut rendre son semblable heureux ou le pousser au désespoir, et c'est à l'aide de mots que le maître transmet son savoir à ses élèves, qu'un orateur entraîne ses auditeurs et détermine leurs jugements et décisions. Les mots provoquent des émotions et constituent pour les hommes le moyen général de s'influencer réciproquement. Ne cherchons donc pas à diminuer la valeur que peut présenter l'application de mots à la psychothérapie et contentons-nous d'assister en auditeurs à l'échange de mots qui a lieu entre l'analyste et le malade.



Mais cela encore ne nous est pas possible. La conversation qui constitue le traitement psychanalytique ne supporte pas d'auditeurs ; elle ne se prête pas à la démonstration. On peut naturellement, au cours d'une leçon de psychiatrie, présenter aux élèves un neurasthénique ou un hystérique qui exprimera ses plaintes et racontera ses symptômes. Mais ce sera tout. Quant aux rensei-gnements dont l'analyste a besoin, le malade ne les donnera que s'il éprouve pour le médecin une affinité de sentiment particulière ; il se taira, dès qu'il s'apercevra de lit présence ne serait-ce que d'un seul témoin indifférent. C'est que ces renseignements se rapportent à ce qu'il y s de plus intime dans la vie psychique du malade, à tout ce qu'il doit, en tant que personne sociale auto-nome, cacher aux autres et, enfin, à tout ce qu'il ne veut pas avouer à lui-même, en tant que personne ayant conscience de son unité.





Vous ne pouvez donc pas assister en auditeurs à un traitement psycha-nalytique. Vous pouvez seulement en entendre parler et, au sens le plus rigoureux du mot, vous ne pourrez connaître la psychanalyse que par ouï-dire. Le fait de ne pouvoir obtenir que des renseignements, pour ainsi dire, de seconde main, vous crée des conditions inaccoutumées pour la formation d'un jugement. Tout dépend en grande partie du degré de confiance que vous inspire celui qui vous renseigne.



Supposez un instant que vous assistiez, non à une leçon de psychiatrie, mais à une leçon d'histoire et que le conférencier vous parle de la vie et des exploits d'Alexandre le Grand. Quelles raisons auriez-vous de croire à la véridicité de son récit ? A première vue, la situation paraît encore plus défa-vorable que dans la psychanalyse, car le professeur d'histoire n'a pas plus que vous pris part aux expéditions d'Alexandre, tandis que le psychanalyste vous parle du moins de faits dans lesquels il a lui-même joué un rôle. Mais alors intervient une circonstance qui rend l'historien digne de foi. Il peut notamment vous renvoyer aux récits de vieux écrivains, contemporains des événements en question ou assez proches d'eux, c'est-à-dire aux livres de Plutarque, Diodore, Arrien, etc. ; il peut faire passer sous vos yeux des reproductions des monnaies ou des statues du roi et une photographie de la mosaïque pompéïenne représentant la bataille d'Issos. A vrai dire, tous ces documents prouvent seulement que des générations antérieures avaient déjà cru à l'existence d'Alexandre et à la réalité de ses exploits, et vous voyez dans cette considération un nouveau point de départ pour votre critique. Celle-ci sera tentée de conclure que tout ce qui a été raconté au sujet d'Alexandre n'est pas digne de foi ou ne peut pas être établi avec certitude dans tous les détails ; et cependant, je me refuse à admettre que vous puissiez quitter la salle de confé-rences en doutant de la réalité d'Alexandre le Grand. Votre décision sera déterminée par deux considérations principales : la première, c'est que le conférencier n'a aucune raison imaginable de vous faire admettre comme réel ce que lui-même ne considère pas comme tel; la seconde, c'est que tous les livres d'histoire dont nous disposons représentent les événements d'une manière à peu près identique. Si vous abordez ensuite l'examen des sources plus anciennes, vous tiendrez compte des mêmes facteurs, à savoir des mobi¬les qui ont pu guider les auteurs et de la concordance de leurs témoi¬gnages. Dans le cas d'Alexandre, le résultat de l'examen sera certainement rassurant, mais il en sera autrement lorsqu'il s'agira de personnalités telles que Moïse ou Nemrod. Quant aux doutes que vous pouvez concevoir relativement au degré de confiance que mérite le rapport d'un psychanalyste, vous aurez encore dans la suite plus d'une occasion d'en apprécier la valeur.



Et, maintenant, vous êtes en droit de me demander puisqu'il n'existe pas de critère objectif pour juger de la véridicité de la psychanalyse et que nous n'avons aucune possibilité de faire de celle-ci un objet de démonstration, com-ment peut-on apprendre la psychanalyse et s'assurer de la vérité de ses affir-mations ? Cet apprentissage n'est en effet pas facile, et peu nombreux sont ceux qui ont appris la psychanalyse d'une façon systématique, mais il n'en existe pas moins des voies d'accès vers cet apprentissage. On apprend d'abord la psychanalyse sur son propre corps, par l'étude de sa propre personnalité. Ce n'est pas là tout à fait ce qu'on appelle auto-observation, mais à la rigueur l'étude dont nous parlons peut y être ramenée. Il existe toute une série de phénomènes psychiques très fréquents et généralement connus dont on peut, grâce à quelques indications relatives à leur technique, faire sur soi-même des objets d'analyse. Ce faisant, on acquiert la conviction tant cherchée de la réalité des processus décrits par la psychanalyse et de la justesse de ses conceptions. Il convient de dire toutefois qu'on ne doit pas s'attendre, cri suivant cette vole, a réaliser des progrès indéfinis. On avance beaucoup plus en se laissant analyser par un psychanalyste compétent, en éprouvant sur son propre moi les effets de la psychanalyse et en profitant de cette occasion pour saisir la technique du procédé dans toutes ses finesses. Il va sans dire que cet excellent moyen ne peut toujours être utilisé lie par une seule personne et ne s'applique jamais à une réunion de plusieurs.



A votre accès à la psychanalyse s'oppose encore une autre difficulté qui, elle, n'est plus inhérente à la psychanalyse comme telle : c'est vous-mêmes qui en êtes responsables, du fait de vos études médicales antérieures. La préparation que vous avez reçue jusqu'à présent a imprimé à votre pensée une certaine orientation qui vous écarte beaucoup de la psychanalyse. On vous a habitués à assigner aux fonctions de 1'organisme et à leurs troubles des causes anatomiques, à les expliquer en vous plaçant du point de vue de la chimie et de la physique, à les concevoir du point de vue biologique, mais jamais votre intérêt n'a été orienté vers la vie psychique dans laquelle culmine cependant le fonctionnement de notre organisme si admirablement compliqué. C'est pour-quoi vous êtes restés étrangers à la manière (le penser psychologique et c'est pourquoi aussi vous avez pris l'habitude de considérer celle-ci avec méfiance, de lui refuser tout caractère scientifique et de l'abandonner aux profanes, poètes, philosophes de la nature et mystiques. Cette limitation est certaine¬ment préjudiciable à votre activité médicale, car, ainsi qu'il est de règle dans toutes relations humaines, le malade commence toujours par vous présenter sa façade psychique, et je crains fort que vous lie soyez obligés, pour votre châti¬ment, d'abandonner aux profanes, aux rebouteux et aux mystiques que vous méprisez tant, une bonne part de l'influence thérapeutique que vous cherchez à exercer.



Je ne méconnais pas les raisons qu'on peut alléguer pour excuser cette lacune dans votre préparation. Il nous manque encore cette science philoso-phique auxiliaire que vous puissiez utiliser pour la réalisation des fins posées par l'activité médicale. Ni la philosophie spéculative, ni la psychologie des-criptive, ni la psychologie dite expérimentale et se rattachant à la physiologie des sens, ne sont capables, telles qu'on les enseigne dans les écoles, de vous fournir des données utiles sur les rapports entre le corps et l'âme et de vous offrir le moyen de comprendre un trouble psychique quelconque. Dans le cadre même de la médecine, la psychiatrie, il est vrai, s'occupe à décrire les troubles psychiques qu'elle observe et à les réunir en tableaux cliniques, mais dans leurs bons moments les psychiatres se demandent eux-mêmes si arrange-ments purement descriptifs méritent le nom de science. Nous ne connaissons ni l'origine, ni le mécanisme, ni les liens réciproques des symptômes dont se composent ces tableaux nosologiques; aucune modification démontrable de l'organe anatomique de l'âme ne leur correspond; et quant aux modifications qu'on invoque, elles ne donnent des symptômes aucune explication. Ces troubles psychiques ne sont accessibles à une action thérapeutique qu'en tant qu'ils constituent des effets secondaires d'une affection organique quelconque.



C'est là une lacune que la psychanalyse s'applique à combler. Elle veut donner à la psychiatrie la base psychologique qui lui manque ; elle espère découvrir le terrain commun qui rendra intelligible la rencontre d'un trouble somatique et d'un trouble psychique. Pour parvenir à ce but, elle doit se tenir à distance de toute présupposition d'ordre anatomique, chimique ou physiolo-gique, ne travailler qu'en s'appuyant sur des notions purement psychologiques, ce qui, je le crains fort, sera précisément la raison pour laquelle elle vous paraîtra de prime abord étrange.



Il est enfin une troisième difficulté dont je ne rendrai d'ailleurs responsa-bles ni vous ni votre préparation antérieure. Parmi les prémisses de la psycha-nalyse, il en est deux qui choquent tout le monde et lui attirent la désappro-bation universelle : l'une d'elles se heurte à un préjugé intellectuel, l'autre à un préjugé esthético-moral. Ne dédaignons pas trop ces préjugés : ce sont des choses puissantes, des survivances de phases de développement utiles, voire nécessaires, de l'humanité. Ils sont maintenus par des forces affectives, et la lutte contre eux est difficile.



D'après la première de ces désagréables prémisses de la psychanalyse, les processus psychiques seraient en eux-mêmes inconscients ; et quant aux conscients, ils ne seraient que des actes isolés, des fractions de la vie psy-chique totale. Rappelez-vous à ce propos que nous sommes, au contraire, habitués à identifier le psychique et le conscient, que nous considérons préci-sément la conscience comme une caractéristique, comme une définition du psychique et que la psychologie consiste pour nous dans l'étude des contenus de la conscience. Cette identification nous paraît même tellement naturelle que nous voyons une absurdité manifeste dans la moindre objection qu'on lui oppose. Et, pourtant, la psychanalyse ne peut pas ne pas soulever d'objection contre l'identité du psychique et du conscient. Sa définition du psychique dit qu'il se compose de processus faisant partie des domaines du sentiment, de la pensée et de la volonté ; et elle doit affirmer qu'il y a une pensée inconsciente et une volonté inconsciente. Mais par cette définition et cette affirmation elle s'aliène d'avance la sympathie de tous les amis d'une froide science et s'attire le soupçon de n'être qu'une science ésotérique et fantastique qui voudrait bâtir dans les ténèbres et pêcher dans l'eau trouble. Mais vous ne pouvez naturelle-ment pas encore comprendre de quel droit je taxe de préjugé une proposition aussi abstraite que celle qui affirme que « le psychique est le conscient », de même que vous ne pouvez pas encore vous rendre, compte du développement qui a pu aboutir à la négation de l'inconscient (à supposer que celui-ci existe) et des avantages d'une pareille négation. Discuter la question de savoir si l'on doit faire coïncider le psychique avec le conscient ou bien étendre celui-là au-delà des limites de celui-ci, peut apparaître comme une vaine logomachie, mais je puis vous assurer que l'admission de processus psychiques inconscients inaugure dans la science une orientation nouvelle et décisive



Vous ne pouvez pas davantage soupçonner le lien intime qui existe entre cette première audace de la psychanalyse et celle que je vais mentionner en deuxième lieu. La seconde proposition que la psychanalyse proclame comme une de ses découvertes contient notamment l'affirmation que des impulsions qu'on peut qualifier seulement de sexuelles, au sens restreint ou large du mot, jouent, en tant que causes déterminantes des maladies nerveuses et psychi-ques, un rôle extraordinairement important et qui n'a pas été jusqu'à présent estimé à sa valeur. Plus que cela : elle affirme que ces mêmes émotions sexuelles prennent une part qui est loin d'être négligeable aux créations de l'esprit humain dans les domaines de la culture, de l'art et de la vie sociale.



D'après mon expérience, l'aversion suscitée par ce résultat de la recherche psychanalytique constitue la raison la plus importante des résistances auxquelles celle-ci se heurte. Voulez-vous savoir comment nous nous expli-quons ce fait ? Nous croyons que la culture a été créée sous la poussée des nécessités vitales et aux dépens de la satisfaction des instincts et qu'elle est toujours recréée en grande partie de la même façon, chaque nouvel individu qui entre dans la société humaine renouvelant, au profit de l'ensemble, le sacrifice de ses instincts. Parmi les forces instinctives ainsi refoulées, les émotions sexuelles jouent un rôle considérable ; elles subissent une subli-mation, c'est-à-dire qu'elles sont détournées de leur but sexuel et orientées vers des buts socialement supérieurs et qui n'ont plus rien de sexuel. Mais il s'agit là d'une organisation instable ; les instincts sexuels sont mal domptés, et chaque individu qui doit participer au travail culturel court le danger de voir ses instincts sexuels résister à ce refoulement. La société ne voit pas de plus grave menace à sa culture que celle que présenteraient la libération des instincts sexuels et leur retour à leurs buts primitifs. Aussi la société n'aime-t-elle pas qu'on lui rappelle cette partie scabreuse des fondations sur lesquelles elle repose ; elle n'a aucun intérêt à ce que la force des instincts sexuels soit reconnue et l'importance de la vie sexuelle révélée à chacun ; elle a plutôt adopté une méthode d'éducation qui consiste à détourner l'attention de ce domaine. C'est pourquoi elle ne supporte pas ce résultat de la psychanalyse dont nous nous occupons : elle le flétrirait volontiers comme repoussant au point de vue esthétique, comme condamnable au point de vue moral, comme dangereux sous tous les rapports. Mais ce n'est pas avec des reproches de ce genre qu'on peut supprimer un résultat objectif du travail scientifique. L'opposition, si elle veut se faire entendre, doit être transposée dans le domai-ne intellectuel. Or, la nature humaine est faite de telle sorte qu'on est porté à considérer comme injuste ce qui déplaît; ceci fait, il est facile de trouver des arguments pour justifier son aversion. Et c'est ainsi que la société transforme le désagréable en injuste, combat les vérités de la psychanalyse, non avec des arguments logiques et concrets, mais à l'aide de raisons tirées du sentiment, et maintient ces objections, sous forme de préjugés, contre toutes les tentatives de réfutation.



Mais il convient d'observer qu'en formulant la proposition en question nous n'avons voulu manifester aucune tendance. Notre seul but était d'exposer un état de fait que nous croyons avoir constaté à la suite d'un travail plein de difficultés. Et cette fois encore nous croyons devoir protester contre l'interven-tion de considérations pratiques dans le travail scientifique, et cela avant même d'examiner si les craintes au nom desquelles on voudrait nous imposer ces considérations sont justifiées ou non.



Telles sont quelques-unes des difficultés auxquelles vous vous heurterez si vous voulez vous occuper de psychanalyse. C'est peut-être plus qu'il n'en faut pour commencer. Si leur perspective ne vous effraie pas, nous pouvons continuer.


Table des matières


(Premier fichier de deux)

Introduction à la psychanalyse


Première partie : les actes manqués


1. Introduction


2. Les actes manqués


3. Les actes manqués (suite)


4. Les actes manqués (fin)






Deuxième partie : Le rêve


5. Difficultés et premières approches


6. Conditions et technique de l'interprétation


7. Contenu manifeste et idées latentes du rêve


8. Rêves enfantins


9. La censure du rêve


10. Le symbolisme dans le rêve


11. L'élaboration du rêve


12. Analyse de quelques exemples de rêve


13. Traits archaïques et infantilisme du rêve


14. Réalisations des désirs


15. Incertitudes et critiques


(Deuxième fichier de deux)


Troisième partie : Théorie générale des névroses






16. Psychanalyse et psychiatrie


17. Le sens des symptômes


18. Rattachement a une action traumatique. L'inconscient


19. Résistance et refoulement


20. La vie sexuelle de l'homme


21. Développement de la libido et organisations sexuelles


22. Points de vue du développement et de la régression. Étiologie


23. Les modes de formation de symptômes.


24. La nervosité commune


25. L'angoisse


26. La théorie de la libido et le « narcissisme »


27. Le transfert


28. La thérapeutique analytique

. Tradução Literatura Viva. Texto original em pdf: http://classiques.uqac.ca/classiques/freud_sigmund

*Traduit de l'allemand avec l'autorisation de l'auteur par le Dr S. Jankélévitch, cet ouvrage a été précédemment publié dans la «Bibliothèque scientifique " des Éditions Payot, Paris. (traduzido do Alemão com a autorização do autor pelo doutor S. Jankélévitch, este trabalho foi anteriormente publicado na Biblioteca Cientifica das Edições Payot, Paris.)

PONTO DE VISTA

O CARNAVAL DE RUA É UMA IMENSA CHARGE




por nelson valente*



O carnaval de hoje não é melhor nem pior do que o de antigamente. É certamente diferente. Já vivi o suficiente para me atrever a comparações. Cada um deles tem as suas especificidades e o seu brilho.



Há muitos anos a imprensa divulga que o carnaval de rua morreu. Aliás, morre todos os anos, num fenômeno que não sei explicar. De ressurreição em ressurreição a animação dos paulistas, baianos, pernambucanos e cariocas sobrevivem, sobretudo nos bairros mais populares.



Tivemos os tempos gloriosos dos fantasiados de pierrô e colombina, que passeavam pelas ruas do bairro da Lapa, por exemplo, jogando confete e lança-perfume (na época, um ato inocente). Lembro de um lanterninha do cinema Arte Palácio, na Avenida São João, que fazia dos três dias de Momo o seu período de glória. Saía fantasiado de Carmen Miranda, com castanholas e tudo, colorido a mais não poder, encantando o bairro com o seu passeio bem-humorado.



Com o passar do tempo, o carnaval de rua ganhou outras características, com a valorização do fato político. Segundo Mário de Andrade, são certas deformações que rolam, mas isso é parte da dinâmica da cultura. Hoje é muito mais comum encontrar-se pelas ruas, com o bom humor tradicional dos cariocas, os que, a seu modo, criticam usos e costumes de políticos como Arruda, Prudente e o “esquecido” Valério, os preferidos da massa. Na irreverência que acompanha nosso povo, até mesmo a figura do presidente americano Obama e do presidente da República Lula não escapam das fantasias, com os exageros naturais.



O carnaval de rua é uma imensa charge, executada pelo povo na sua simplicidade e no seu desejo de participação. E isso não se exaure nunca, pois a despeito de uma ideia de descrença generalizada, o que sinto não é bem isso. Os blocos sujos, as fantasias originais, a alegria solitária dos que saem às ruas contando apenas com a sua criatividade - tudo isso dá vida ao carnaval, enriquecendo a festa principalmente em regiões onde, de outra forma, o povo não teria o que comemorar. E isso, felizmente, não morre nunca.

Os excessos cometidos em alguns veículos de comunicação, chama a atenção para: Televisão e Família. É oportuno que se fale sobre isso quando já se está vivendo o período carnavalesco.

É certo que a televisão pode enriquecer a família, mas é indiscutível, pela sua força, que pode também destruí-la, ao difundir valores ligados a comportamentos lamentáveis: pornografia e iamgens de violência brutal, assim como informações manipuladas, publicidade exploradora e falsas visões de vida. Há um mau-gosto enorme na cobertura dos bailes carnavalescos, onde se pratica a máxima do “quanto pior, melhor”.

A desculpa da concorrência não pode servir de biombo para as cenas de Sodoma e Gomorra revividas por algumas das nossas televisões.Isso não se justifica de nenhuma forma.



No Brasil tudo acaba em carnaval, e tudo começa depois do carnaval.



(*) professor universitário, jornalista e escritor. contato: Nelson Valente nelsonvalenti@hotmail.com