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sábado, 22 de agosto de 2009

fátima - poesia


AMOR OU PAIXÃO


por fátima rezende*


Gostaria de ser poetiza para em versos
meus sentimentos expressar...
Porém não sou, então me cabe tentar
o ensaio de traduzir o que sucede
em meu âmago ...


Sentimentos que me lançaram a uma transformação
Quando me parecia impossível sair da
inércia e estagnação;


Numa metamorfose secreta...Silenciosa...
Que no entanto me trouxe de volta a VIDA !
Permitindo-me novamente ser feliz
AMOR... ou... PAIXÃO?


Não... na forma convencional!
Mas é Amor... é Paixão


Pois só tais sentimentos produzem tal revolução e inovação interna

AMOR... sem contudo ter o desejo de possuir...


Nem tampouco esperar que seja assim...
Amor com desprendimento... sincero desejo
do bem estar de quem se ama


AMAR... por... AMAR

E por vezes tal sentimento não compreender...
Porém sentir-se feliz apenas por saber
que tal emoção é capaz de cultivar


PAIXÃO... por desejar próximo estar e fazer tudo por quem se ama e sem deste nada exigir
Desejar estar juntos, mesmo que não possa tocar...


Sentir-se segura por saber que a pessoa amada presente se faz
AMAR... mesmo que não aprove a atitude do ser amado, porém fazer desta momento uma oportunidade de exercitar o perdão


PAIXÃO... em sentir saudades e simplesmente realizar-se em contemplar
e alegrar-se no seu sorriso ou ao ouvir a melodia de sua voz
E em silêncio ser feliz...


Percebendo que estes momentos para alguns é muito pouco...
Mas para quem AMA... por... AMAR
É o bastante para
A alma acalentar...



*psicóloga e poeta. Contato: fatima-rezende@hotmail.com

sábado, 15 de agosto de 2009

marcos brunini - psicologia evolucionista




UMA HISTÓRIA DE VIOLÊNCIA [1]




por Steven Pinker[2]


Na Paris do século XVI, uma forma de entretenimento popular era a queima de gatos: num tablado, um gato era preso numa forquilha, içado, e vagarosamente baixado até uma fogueira. De acordo com o historiador Norman Davies, “os espectadores, incluindo reis e rainhas, gargavalhavam ruidosamente à medida que os animais, urrando de dor, eram chamuscados, queimados, e finalmente carbonizados”. Hoje, tal sadismo seria impensável na maior parte do mundo. Essa mudança nas sensibilidades é somente um exemplo da talvez mais importante e também mais subavaliada tendência da saga humana: a Violência tem diminuído durante longos trechos da história, e hoje provavelmente estamos vivendo o momento mais pacífico de todo o tempo de nossa espécie na Terra.

Na década de Darfur e Iraque, e pouco depois do século de Stalin, Hitler, e Mao, defender que a violência tem decrescido pode parecer qualquer coisa entre alucinatório e obsceno. Ainda assim, estudos recentes que procuram quantificar o fluxo e refluxo histórico da violência apontam exatamente para essa conclusão.

Algumas das evidências estão bem embaixo de nosso nariz durante todo o tempo. A historia convencional há muito mostrou que, de muitos modos, estamos ficando mais amáveis e gentis. A crueldade como entretenimento, o sacrifício humano para satisfazer a superstição, a escravidão para o trabalho, a conquista de terras alheias como a missão declarada dos governos, o genocídio como meio para aquisição de patrimônio, tortura e mutilação como punição rotineira, a pena de morte para mau comportamento e diferenças de opinião, assassinato como mecanismo para sucessão política, estupro como pilhagem de guerra, pogroms como descarga para a frustração, homicídio como a forma principal de resolução de conflitos, todas eram características não excepcionais de vida durante a maior parte da história humana. Mas hoje elas são raras ou inexistentes no Ocidente, e muito menos comum em outras partes do que já foram, escondidas quando ocorrem, e amplamente condenadas quando trazidas à luz.

Houve tempo em que esses fatos eram largamente apreciados. Eles eram a fonte de noções como progresso, civilização, e da ascensão do homem saindo da selvageria e da barbárie. Recentemente, contudo, essas idéias soam antiquadas, perigosas. Elas parecem demonizar pessoas em outros tempos e lugares, autorizar a conquista de colônias e outras aventuras no estrangeiro, e ocultar os crimes de nossas próprias sociedades. A doutrina do bom selvagem – a idéia de que humanos são pacíficos por natureza e corrompidos pelas instituições modernas – frequentemente surge nos escritos de intelectuais conhecidos do público como José Ortega y Gasset (“A guerra não é um instinto, mas uma invenção”), Stephen Jay Gould (“O homo sapiens não é mau ou uma espécie destrutiva”), e Ashley Montagu (“Estudos biológicos emprestam apoio à ética da irmandade universal”). Mas, agora que os cientistas sociais começaram a contar os corpos nos diferentes períodos históricos, descobriram que a teoria romântica tem seu contrário: longe de nos tornar mais violentos, algo na modernidade e em suas instituições culturais têm nos feito mais nobres.

Deve-se admitir que toda a tentativa de documentar mudanças na violência tem que ser embebida na incerteza. Em muito do mundo, o passado distante foi uma árvore caindo na floresta sem ninguém para ouvir, e mesmo para os eventos no registro histórico, as estatísticas são turvas até períodos recentes. Tendências de longo prazo podem ser distinguidas somente tateando ziguezagues e picos da horrível sangria. E a escolha por focar números relativos ao invés de números absolutos traz à tona o imponderável moral de qual é pior: 50% de uma população de 100 ou 1% de uma população de um bilhão ser morta.

Contudo, mesmo considerando esses cuidados, um quadro está se formando. A diminuição da violência é um fenômeno fractal, visível na escala milênios, séculos, décadas, e anos. Isso se aplica sobre várias ordens de magnitude da violência, do genocídio à guerra à revolta ao homicídio ao tratamento de crianças e animais. E parece ser uma tendência mundial, embora não homogênea. A posição de liderança tem sido ocupada pelas sociedades ocidentais, especialmente Inglaterra e Holanda, parecendo ter havido um ponto de queda ao despontar a Idade da Razão, no início do século XVII.

Numa perspectiva mais ampla, pode-se ver uma enorme diferença através dos milênios que nos separa de nossos ancestrais pré-estatais. Contrariando os antropólogos de esquerda que celebram o nobre selvagem, a contagem dos corpos – tal como a proporção de esqueletos pré-históricos com marcas de machado e pontas de lança cravadas ou a proporção de homens numa tribo contemporânea de forrageamento que morreu nas mãos de outros homens – sugere que sociedades pré-estatais eram bem mais violentas do que a nossa. É verdade que ataques de surpresa e batalhas mataram uma porcentagem muito pequena da quantidade que morre nas guerras modernas. Mas, na violência tribal, os choques são mais frequentes, a porcentagem de homens na população que combate é maior, e as taxas de morte por batalha são mais altas. De acordo com antropólogos como Lawrence Keeley, Stephen LeBlanc, Phillip Walker, e Bruce Knauft, esses fatores se combinam para produzir taxas de mortalidade na população em geral nos conflitos tribais que tornam pequenas aquelas dos tempos modernos. Se as guerras do século XX tivessem matado a mesma proporção da população que morreu numa sociedade tribal típica, teríamos 2 bilhões de mortos , e não 100 milhões.

A correção política na outra ponta do espectro ideológico também tem distorcido muitas concepções pessoais sobre a violência nas primeiras civilizações – nomeadamente, aquelas exibidas na Bíblia. Essa suposta fonte de valores morais contém muitas celebrações ao genocídio, nas quais os hebreus, incitados por Deus, trucidam qualquer residente que reste numa cidade invadida. A Bíblia também prescreve a morte por apedrejamento como penalidade para uma longa lista de infrações não violentas como idolatria, blasfêmia, homossexualidade, adultério, desrespeito aos pais, e coleta de lenha no Sabbath. Os hebreus, claro, não eram mais assassinos que outras tribos; pode-se encontrar frequentes demonstrações de orgulho pela tortura e genocídio na história antiga de hindus, cristãos, muçulmanos, e chineses.

Na escala séculos é difícil encontrar estudos quantitativos quanto às mortes ocorridas nos conflitos que englobem tempos medievais e modernos. Vários historiadores sugerem que tem havido um acréscimo no número de guerras registradas até hoje, através dos séculos, mas, como o cientista político James Payne observou, isso pode mostrar somente que “a Associated Press é uma fonte com maior cobertura de informação sobre batalhas ao redor do mundo do que foram os monges do século XVI”. Histórias sociais do Ocidente fornecem evidência de numerosas práticas bárbaras que se tornaram ultrapassadas nos últimos cinco séculos, tais como escravidão, amputação, cegamento, marcar a ferro, esfolamento, estripação, queimar no poste, quebrar na roda, e daí por diante. Entretanto, para outro tipo de violência – homicídio – os dados são abundantes e impressionantes. O criminologista Manuel Eisner tem colecionado centenas de registros sobre homicídio em várias localidades da Europa Ocidental que mantiveram registros em pontos entre 1200 e meados dos anos 1990. Em todos os paises que ele analisou, as taxas de assassinato baixaram acentuadamente – por exemplo, de 24 homicídios por 100.000 entre os homens ingleses no século XIV para 0,6 por 100.000 no início de 1960.

Na escala décadas, dados abrangentes novamente pintam um quadro escandalosamente feliz: a violência global tem caído estavelmente desde o meio do século XX. Conforme o Human Security Brief 2006, a quantidade de mortos em batalhas de guerras entre estados diminuiu de mais de 65.000 por ano nos anos 1950 para menos de 2000 por ano nesta década. Na Europa Ocidental e nas Américas, a segunda metade do século viu um declínio acentuado na quantidade de guerras, golpes militares, e revoltas étnicas mortais.

Após a guerra fria, todo canto do mundo viu uma descida íngreme nos conflitos entre estados, e mesmo aqueles que ocorrem são mais prováveis de terminarem em bases negociadas e não terem o fim amargo das guerras. Entretanto, de acordo com a cientista social Barbara Harff, entre 1989 e 2005 o número de campanhas para matança em massa de civis diminuiu 90%.

O declínio da matança e da crueldade coloca vários desafios para nossa capacidade de dar sentido ao mundo. Para começar, como tantas pessoas poderiam estar tão erradas a respeito de algo tão importante? Em parte, isso se deve a ilusão cognitiva: estimamos a probabilidade de um evento a partir da facilidade com que recordamos exemplos. Cenas de massacre são mais possíveis de serem retransmitidas a nossas salas de estar e gravadas em nossas memórias do que sequências de pessoas morrendo por conta da velhice. Em parte, é uma cultura intelectual que é relutante em admitir que poderia haver qualquer coisa boa acerca das instituições da civilização e da sociedade Ocidental. Em parte, é a estrutura de incentivo para os mercados do ativismo e de opinião: ninguém jamais atraiu seguidores e doações anunciando que as coisas continuam melhorando. E parte da explicação repousa no fenômeno em si. O declínio do comportamento violento teve um paralelo no declínio das atitudes que toleram ou glorificam a violência, e frequentemente as atitudes estão na liderança. Tão deploráveis quanto sejam, os abusos na prisão iraquiana de Abu Ghraib e as injeções letais de alguns poucos assassinos no Texas são suavizadas pelos padrões de atrocidades da história humana. Mas, de uma posição vantajosa para nossos dias, nós os vemos como sinais de quão baixo nosso comportamento pode descer, não quão alto nossos padrões se elevaram.

Outro grande desafio colocado pelo declínio da violência é como explicá-lo. Uma força que empurra na mesma direção ao longo de muitas épocas, continentes, e escalas de organização social zomba de nossas ferramentas padrão de explicação causal. Os suspeitos usuais – armas, drogas, imprensa, cultura americana - não chegam nem perto da tarefa. Também não poderia ser explicado pela evolução no sentido biológico: mesmo se o pacífico pudesse herdar a terra, a seleção natural não poderia favorecer os genes da mansidão com a rapidez necessária. De todo modo, a natureza humana não mudou tanto a ponto de perder seu gosto pela violência. Psicólogos sociais encontraram que ao menos 80% das pessoas já fantasiaram matar alguém de que não gostem. E os humanos modernos ainda sentem prazer vendo violência, se julgamos a popularidade de mistérios sobre assassinatos, dramas shakespeareanos, filmes com Mel Gibson, vídeo games, e hockey.

O que tem mudado, claro, é a vontade de as pessoas atuarem essas fantasias. O sociólogo Norbert Elias sugere que a modernidade européia acelerou um “processo civilizatório” marcado pelo aumento no autocontrole, planejamento de longo prazo, e a sensibilidade pelos pensamentos e sentimentos de outrem. Essas são exatamente as funções que os neurocientistas cognitivos atuais atribuem ao córtex pré-frontal. Mas isso somente provoca a pergunta: por que os humanos têm aumentado o exercício daquela parte de seus cérebros? Ninguém sabe por que nosso comportamento tem vindo sob o controle dos anjos bons de nossa natureza, mas há quatro idéias plausíveis.

A primeira é que Hobbes estava certo. A vida num estado natural é sórdida, brutal, e curta, não por conta de nossa sede primitiva por sangue, mas por conta da lógica inevitável da anarquia. Quaisquer seres com um mínimo de interesse pessoal podem ser tentados a invadir seus vizinhos e roubar seus recursos. O medo resultante de ataque irá instigar os vizinhos a atacarem primeiro em autodefesa preventiva, o que por sua vez irá instigar o primeiro grupo a atacá-los preventivamente, e daí por diante. Esse perigo pode ser neutralizado por uma política de prevenção de hostilidades – “Não ataque primeiro! Retalie se atacado!” – mas, para assegurar sua credibilidade, as facções devem vingar todos os insultos e desforrar as ofensas, levando a ciclos de vingança sangrenta. Essas tragédias podem ser impedidas por um estado com o monopólio sobre a violência, porque ele pode infringir penalidades imparciais que eliminam os incentivos para a agressão, desse modo neutralizando ansiedades acerca de ataque preventivo e afastando a necessidade de manter uma propensão à flor da pele para a retaliação. De fato, Eisner e Elias atribuem o declínio do homicídio europeu à transição das sociedades dos nobres guerreiros para os governos centralizados do início da modernidade. E, hoje, a violência continua a proliferar em zonas de anarquia, como regiões de fronteiras, estados falidos, impérios em colapso, e territórios disputados por máfias, gangues e outros grupos que negociam o ilícito.

Payne sugere outra possibilidade: a variável crítica no favorecimento da violência é uma percepção geral de que a vida é ordinária. Quando a dor e a morte precoce são aspectos cotidianos da própria pessoa, essa pessoa sente menos remorso de infringi-las a outras pessoas. Como a tecnologia e a eficiência econômica aumentam e melhoram nossas vidas, em geral damos mais valor à vida.

Uma terceira teoria, defendida por Robert Wright, invoca a lógica dos jogos de soma não zero: cenários nos quais dois agentes podem se dar bem se cooperarem, intercambiando bens, dividindo tarefas, ou compartilhando os dividendos da paz que vem com a deposição das armas. À medida em que as pessoas adquirem o conhecimento de que elas podem compartilhar e desenvolver tecnologias que lhes permitem distribuir seus bens e idéias por territórios maiores e a um custo menor, o incentivo para cooperar aumenta agudamente, porque as outras pessoas tornam-se mais valiosas vivas do que mortas.

Assim, há um cenário esboçado pelo filósofo Peter Singer. A evolução, ele sugere, transmitiu às pessoas um pequeno cerne de empatia, a qual, por ausência de mais contatos, elas aplicam somente a um círculo estreito de amigos e relações. Com os milênios, o circulo moral das pessoas se expandiu para incluir sociedades cada vez maiores: o clã, a tribo, a nação, ambos os sexos, outras raças, e até animais. O círculo pode ter sido alargado por redes de reciprocidade em expansão, a la Wright , mas também poderia ter sido inflado pela lógica inexorável da regra de ouro: quanto mais alguém conhece e pensa sobre as coisas das vidas de outrem, mais difícil fica privilegiar seu próprio interesse sobre o do outro. A escalada da empatia também pode ser fortalecida pelo cosmopolitanismo, no qual o jornalismo, as biografias, e a ficção realista fazem as vidas interiores de outras pessoas, e a natureza contingente da própria pessoa, mais palpáveis.

Quaisquer que sejam as causas, o declínio da violência tem implicações profundas. Não significa uma licença para a complacência: aproveitamos a paz que temos hoje porque pessoas nas gerações anteriores foram aterrorizadas pela violência em suas épocas e trabalharam para findá-la, do mesmo modo que devemos trabalhar para por fim à violência aterrorizante de nossos tempos. Também não é necessariamente base para otimismo sobre nosso futuro imediato, já que nunca o mundo teve lideres nacionais que combinassem sensibilidades pré-modernas com armamentos modernos.

Mas o fenômeno, de fato, nos força a repensar nosso entendimento sobre a violência. A inumanidade do Homem contra o Homem há muito tem sido tratada como questão moral. Com o conhecimento de que algo tem conduzido a violência para níveis dramaticamente mais baixos, podemos tratá-la como uma questão de causa e efeito. Ao invés de perguntar, “por que existe a guerra?”, deveríamos perguntar, “por que existe a paz?”. Da possibilidade de estados cometerem genocídios ao modo como as pessoas tratam gatos, devemos estar fazendo alguma coisa certa. E seria bom saber, exatamente, o que.

Pesquisa e tradução: Marcos Brunini (marcosbrunini@yahoo.com.br)





[1] Do original A History of Violence, disponível em http://pinker.wjh.harvard.edu/articles/media/2007_03_19_New%20Republic.pdf, acessado em 09/07/09.

[2] Psicólogo canadense, Steven Pinker leciona na Universidade de Harvard.

crônica - ronaldo duran

fonte da imagem: fernslipksoad.flogbrasil.terra.com.br/foto123...



BATO COM VONTADE



por ronaldo duran*


Vou me desabafar, então nem me venha pedir consideração. Por falar nessa tal de consideração parece que os bateristas estão cada vez mais desprovidos do mínimo. A gente é visto como o último dos últimos, isto quando chega a ser notado. Lá no fundo, estamos a socar a bateria, dar o melhor de nós. E de que vale? Todos os fricotes e gritos para os vocalistas, piscadas sensuais para os guitarristas. E nós, nada. Eu estava meio de saco cheio. Até pensei dar um tempo. Tudo bem, eu até entendo a divisão de trabalho, compreendo perfeitamente que numa banda os olhos da multidão naturalmente se voltam para quem está com o microfone na mão, soltando a voz, pulando, gritando, excitando a galera.


Sei que numa equipe todos temos nossa parte porque senão a equipe não vinga.
Mas que ego suporta tanta indiferença, humilhação? Já não basta ver por aí vocalista dando entrevista, sendo agarrado, adorado. Sequer valorizam nosso trabalho. Esquecem que sem baterista, o corpo não suinga, os quadris não se mexem freneticamente, as meninas não rebolam, e os rapazes não ficam pulando. Que cantor faz a galera sair do chão só com sua voz? Que balada dá um suadouro se você não se agita ao som da bateria?


Pior é ser barrado na porta. É isto mesmo. Teve uma vez, lá em Assis, que fomos dar um show. Calhou de eu me atrasar. Fui barrado porque o segurança não levou fé que eu era da banda. Ponte que partiuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu eu sou baterista. Tive que espernear.
Se eu fosse o vocalista, me estenderiam o tapete vermelho, me reconheceriam logo.


No palco, quando uma tiete corta o bloqueio de segurança, é batata que vá direto para os braços do vocalista. De quebra, um beijinho no guitarrista. E o baterista? Um cão sarnento seria mais notado, pelo menos em função do medo de pegar sarna. A gente fica lá, isoladaço.


É pra deixar irado.


Após o show, no camarote, o único colo que fica vazio é o meu. O vocalista tem uma gata em cada perna. Nem os guitarristas têm do que se queixar.


Ossos do ofício. Nem sou tão frissurado em conquistar ou atrair tietes. Não é esta a questão. É a falta de valorização que me machuca, me pisa. E com a moda do órgão que simula bateria, aí é que estamos ferrados. O cara liga a máquina, e pronto.


Vinha nesse pé, meio irado. Mas a Renata me livrou duma deprê maior. Foi em Rio Claro que eu a conheci. Eu tocava a bateria. E ela piscou para mim. Tá, pensei logo que ela havia errado o alvo. Uma gata dando bola pro baterista apagadão? Não pode ser. Mas era. Não é tiete, tipo pega todos, nada. Era super tímida. Levei uma semana para saborear seus lábios e dar um abraço. Ela disse que na banda sempre adorara a função de baterista, pode? Que sensível, que amor! Tem 19 anos e é professora primária. Super carinhosa.


Toda vez que o vírus do despeito me machuca, eu bato com vontade na minha batera, pois agora tem alguém que me sorri na multidão. Ela costuma ir aos meus shows...


* Romancista, escreve em jornais. Visite o autor no Google. Contato: ronaldo@ronaldoduran.com

domingo, 9 de agosto de 2009

nelson valente - educação

fonte imagem:bianotimbaleiro.blogspot.com/2008/01/analfaba...





NÃO SERÃO FUTUROS ADULTOS ANALFABETOS?






por Nelson Valente*





Quais são os direitos das crianças que, em idade escolar, se encontram fora da escola ? E as outras que, estando na escola, recebem péssimo ensino? As perguntas me foram feitas na Faculdade Cásper Líbero -São Paulo e são pertinentes quando se sabe que o governo inova suas relações com o problema lançado o "Estatuto da Criança e do Adolescente".




Pode ser mais uma prova de boas intenções ( de que o inferno anda cheio), mas pode ser também o início de um projeto ambicioso e inadiável, que fuja ao lugar-comum das campanhas inócuas e demagógicas. O IBGE divulgou relatório sobre a situação da criança, com base em dados de 2006. Há indicadores da tragédia infantil que não devem ser desprezados, como o fato de um terço dos 24 milhões de crianças e jovens entre 10 e 17 anos serem economicamente ativas ( trabalham ou já tiveram intenção de trabalhar) e 22% delas viverem em famílias de somente um salário mínimo.




Isso pode explicar de modo claro o abandono prematuro da escola. Aliás, 14% dos 25 milhões de crianças em idade escolar ( 7 a 14 anos) estão fora da escola. De cada 100 que ingressam na primeira série do ensino fundamental, somente 13 chegam ao final do curso. Há um pequeno aumento no índice de escolaridade, mas o número é ridículo diante das comparações que podem ser feitas com países desenvolvidos. Não basta ir à escola.




Veja-se o número médio de horas/aula. Nas nações pós-industrializadas, opera-se com a escola de base 8 x 8 , ou seja, cada aluno fica 8 horas por dia na escola, durante 280 dias, num período de 8 anos. Isto em termos de educação básica. Fazendo as contas, dá uma carga horária, no momento do aprendizado, de algo em torno de 17.920 horas ( 280x8x8). O número é comparado com o que ocorre no Brasil: são de 200 dias letivos para 4 horas diárias ( em média) e 8 anos de escolaridade.




O total dá 6.400 horas/aula ( 200x4x8). O grevismo, o assembleísmo e o corporativismo sentaram praça nos grandes centros urbanos e o resultado aí está, na falta de cumprimento físico dos calendários escolares, com o consequente rebaixamento dos padrões de ensino.




Por tais números pode-se inferir que nossas crianças recebem 1/3 dos conhecimentos que são ministrados nos países desenvolvidos, o que aprofunda uma diferença hoje abismal. Como seremos uma sociedade competitiva ? De que maneira corrigir isso ? O mundo conhece cerca de 30 mil profissões, a quase totalidade proibida a analfabetos ou subalfabetizados, o que hoje corresponde a uma clientela de 44 milhões de brasileiros.




Se o analfabeto fala e maneja apenas 2.500/3.000 palavras, como exigir o aumento da sua produtividade? De toda a forma, a raiz do problema encontra-se na educação básica e nas possibilidades de ensinar adequadamente às nossas crianças, em época oportuna.




As distorções idade/série são muito grandes entre nós, fruto de um quase abandono dessa fundamental prioridade. Querem um exemplo ? O Brasil tem hoje cerca de 127 mil alunos de pré-escolar com 9 anos de idade e que estão sendo assistidos de modo bastante precário. Não serão futuros adultos analfabetos?




Campanhas e projetos espetaculares não resolvem o problema. Sou partidário de uma ênfase na educação básica, para que se estanque a fonte geradora dessa situação deplorável da educação brasileira.



* professor universitário, jornalista e doutor em Comunicação.

sábado, 8 de agosto de 2009

cuento - Letras desvalorizadas

LETRAS DESVALORIZADAS**


por ronaldo duran*


El hombre es un animal disconforme con la regla del juego que la vida impone. ¿Ya hemos visto una hormiga alcanzar la luna? ¿Al comando de un hormiguero apoyándose en una supuesta legitimidad, dictando ordenes en el hormiguero vecino? ¿Caballo, buey o vaca poniendo a escarbar las capas de ozono?

El animal humano escarba y escarba casi todo a su alrededor. El gordo, sueña quedarse delgado.
El delgado, espera ganar peso. El blanco, vive aburrido y desea ser moreno. El negro, se pinta de blanco. El calvo, no ve la hora del implante... El genotipo ha perdido el espacio ante las tinturas artificiales que colorean la piel y el pelo en los días actuales.

Similar a las demás especies de la naturaleza, en la especie humana existen los súper-tranquilos contrastando con los activos. Extremos humanos. Mientras a los primeros, en la óptica de un observador poco atento a los pequeños detalles, juraría tratarse de personas sufridas.

¿Sufrido? ¿El ser humano? Esto es un equívoco. A menos que se haya muerto, no hay persona totalmente sufrida.

Destino, Dios, espíritus divinos y demás fuerzas ocultas del universo han dado rienda suelta y dejaron de intentar comprender a esto raro especie que se arrastra sobre la Tierra. Han percibido que eso resulta en un trabajo inútil.

Pasear en la filosofía sobre lo que es el hombre jamás tendrá el mismo efecto que mostrar la simple rutina de una persona.

Ya que hablamos de disconforme, vamos a ver uno.

Robson de Braga Araujo busca ser valorizado como escritor. Hasta allí todo normal. Cada cual tiene su sueño.

Aquí el soñador camina al borde del pozo de la obsesión.

Robson llena su meta hasta el límite del delirio. Auque se trate de un delirio letrado, académico y crítico. El delirio es alcanzar la fama a cualquier riesgo. Lo malo es que el reconocimiento ha huido como algunos parlamentarios se esquivan de la CPI, cualquier CPI, desde que lleva a la sospecha sus actos y patrimonio.

Miércoles por la mañana, mes de julio de 1996. La ciudad de Taubate, municipio de la Provincia de São Paulo, despertaba de la misma manera que lo había hecho en el día anterior, no obstante lo que digan los amantes de la Física.

Estamos en la periferia, porque Taubate también cuenta con la suya. La casa es aquella despreciada por la gente esnob, pero deseada por los millares de miserables que encaran un banco frío en la plaza, un rincón en una vereda de algún establecimiento comercial, únicos locales disponibles, como regla, en una metrópolis, a menos que el mendigo haya alcanzado un hueco en una villa miseria.

Robson mira el despertador neurótico que berrea sin cesar. Seis y media. ¿Por qué enfardase? Si él mismo puso el ruidoso para sonar a la hora esperada. Su obligación seria agradecer. Lo otro había quebrantado semana pasada. Perdía siempre la hora.

_ Vamos, hombre, vamos... La hora ha llegado.

No es el reloj eléctrico que le dirige estas palabras, mas bien su conciencia, aunque bueno retraída.

Cuanto le hubiera gustado haber atendido al llamado. Pero su cansancio no se lo permitió. Dormiría por hora más.

De repente, se apoyó en la cama. Desperezase. Le gustaría que el mundo se hubiera acabado, una bomba hubiese caído en la ciudad o cosas peores. Todo. Menos dejar las frazadas.

Apoya sus pies en el suelo helado. Va a buscar las malditas chancletas. Jamás las encuentra en donde las dejó en noche pasada. Pero ni él sabría decir precisamente en que sitio las había dejado. Recoge un par al sur y otro al norte. Por más que lo desease, no lograría atender a la antigua solicitación de su madre, doña Eunestina.

_ Evita pisar en suelo helado. Esto hace muy mal a la salud.

Doña Eunestina cumplía el papel de una madre cuidadosa. Temía mucho el catarro crónico de su hijo. Aunque esporádico, este no ha dejado Robson en paz desde pequeño. La lucha dura ya tres décadas.

Como por arte de magia, había vestido el pantalón y la camisa sin planchar. En el desayuno venía el Nescau con leche y una mitad de pan del día anterior, con mantequilla. Él hacer el café le daría mucho trabajo, aunque fuese soluble. Bebía bastante durante todo el día en la oficina. Entonces, ¿para qué preocuparse?

Los dientes van sin cepillar. En la notaría cuidaría de la higiene de su boca. En su armario, lucían jabones, pasta dentífrica y cepillo de dientes.

El sol de una mañana de invierno, de vez en cuando causa ardor en los ojos de quién saborea las recomendadas ocho horas de sueño. Imagino el daño que hace a la salud de quién mantiene el mal hábito de imitar murciélagos y lechuzas, cambiando el día por la noche. Robson, dedicado amante de las letras, encuentra una oportunidad para bosquejar sus poemas en el silencio y en los ratos libres de la madrugada.

Llegó retrasado en la notaría. El patrón, resabido, ni hace cara de pocos amigos ¡ No lo adelantaría! Había solamente un consuelo: descontar en el fin de mes el salario. Y no estaba dispuesto a abrir la mano del recurso.

¿ A quién le gusta perder? Ni aquel que cae en falta. Un día la indignación explotó. El retrasado, de comprobante salarial en la palma de la mano, tuvo el coraje y fue a reclamar.

_ ¿Mas Sr. Antonio, todo esto de descuento?

_ ¿ Qué hacer? Son los minutos retrasados.

_ ¿Pero todo esto?, el empleado, con la mirada sufrida en el rostro, monologa la pregunta sin esperar por una respuesta favorable. Sabia que había cometido falta.

_ Sumé veinte minutos en un día, quince en el otro..., llegué a este valor, decía el patrón con los ojos fijos en el papel, en el cual listaba los más de veinte días que contaba con descuento.

_ El señor conoce mi realidad... vivo a lejos de aquí...

El abogado Antonio Queiroz, dueño de la notaría, sonrió medio confuso. Con más años de abogacía que Antonio de Magalhães de política, sabia reconocer un bueno carácter en la persona de Robson. Funcionario aplicado. No tiene pereza en el servicio. Ni era absentista.
Buscó a barajar la actitud arbitraria.

_ Sé de todo esto... y mucho más... Lo que no puedo es abrir excepción para nadie. Si no te llevo por tus retrasos es bien posible que mañana por la mañana todos empiezan a llegar después de las diez...

Exageraba. Pero mismo exagerando todo empleador juzgase tener la razón, y ¿quién va le destituir de ella?

Robson hice su retirada, vuelve para su puesto. Reconocía la pérdida de tiempo.

Después de sacar la capa protectora de la máquina profesional, corrió hacia Enrique para recibir la papelera acumulada. Mecanografiaría hasta la hora de almuerzo, sin cesar. Si bien que ir al baño, fumar un Hollywood, mojar el gañote con un cafecito, café que Guilherme, vulgo Zé Bezudo, tracia del Bar & Restaurante, era de ley, acciones constituyentes del servicio.

El día en la notaría era de perro, y de los rabiosos. El Cristián tradicional allí avistaría la imagen del infierno dantesco. Ni faltando figuras conocidas como a del diablo. Este en piel de Antonio Queiroz.

¿Qué más podría pensar delante aquella fisonomía irregular? Bigote espeso, un poco gris por la edad, un poco amarillo por el hábito del cigarro puro; calva pronunciada en tope de la cabeza; raspadura de pelos blancos por cima de las orejas; las mejillas que parecían hervir, dado el rubor constante en la hora de mayor movimiento en la notaría.

El diablo no reina solo. La clientela del otro lado del balcón seria los ángeles decaídos. Esto cuando no ocurría un u otro más arrojado empurrarse adentro de la arena que debería ser exclusiva a los funcionarios, con intento de hacer sus exclamaciones más vehementes, aterrorizadoras.

La lógica diaria es la gritería. Caras aburridas delante la espera. Impuestos contradichos antes de quitados. El doctor, algo sensible con las personas, pasa por bruto cuando el asunto es ganar dinero, o evitar pérdidas. El número de funcionario, ah, insuficiente para la clientela. La sed de ganancia hace con que él cierre los ojos a la realidad.

Cosas de Brasiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiil.

Rutina de los documentos importantes. Firmas que se abren. Firmas que se cierran. Persona física o jurídica que protestan o que se ven protestadas.

El brasileño amante de samba encara el tumulto de modo diferente del Cristián tradicional. Vería en eso el carnaval jurídico. Los más variados bloques desfilando por la gran apoteosis llamada notaría. Bloques de fraudulentos, de lesionados, de emprendedores, de asociativos...

Mecanografiar, manosear documentos ultra-ultra-confidenciales. Reconocer firmas, rúbrica. Autenticar copias de CI, CIC. Tirar certificación de nacimiento, de casamiento, de óbito. Recibir el C.G.C. Copia del estatuto publicado en Diario Oficial, colorido por la lista de los directores, asociados. Registrar ACTA de Asamblea ordinaria, extraordinaria, es siempre buen para evitar habladurías.

Los ventiladores de techo que calientan más que refrescan. El acondicionador que se ha desarreglado una semana atrás instalado y hasta ahora en la asistencia técnica. Por suerte el invierno ayuda un poco.

Los callos en los dedos, cosa de practica. Portaplumas babeadas y mordeduras en las tapas. Muchos prefieren las chupar que mascar las puntas de cigarrillo.

Cinco y media. Robson agotado. ¿Quién estaría aún con alguna animación atrás toda esta tempestad? Nadie, sino que fuera un tunante. El tunante que se ahorra de esfuerza bruta, que logra dirigir el ambiente de manera a no perder a él en stress enfermizo. Marcos es un tunante.
Lo único que mostrase dispuesto a pasearse al Shopping Center, espera la enamorada, a cual trabaja en una tienda de ropa de moda y encara dos horas delante de una gran pantalla de cine, con una bolsa de palomitas en las manos.

Los demás se arrastran hacia sus casas. Una buena parte, después de un baño y la refección calientita que aterriza en la mesa de la cena, vuelven a tener lo ánimo. Despiertan. Dan la justa atención al televisor, al radio, durante el resto de la noche, aguardando la hora de dormir.

El solitario no goza de la misma suerte. Va a lavar la loza. Poner algunas cosas en orden. Desde que la mujer pedió las cuentas, indo a enroscarse en los brazos de otro hombre, en opinión de ella, más pie-en-lo-suelo, la casa asemejarse a una república, una casa sólo para estudiantes.
Robson sólo tiene alguno capricho cuanto a la limpieza en vista de la visita de los dos hijos suyos, un varón y una chica.

El padre deposita la pensión de los chicos, la cuantía que la ley exige, en la cuenta corriente de la ex esposa. No es él uno avariento. Cuando necesario, suelta un poquito más de dinero. La esposa y el actual marido, ambos muy bien empleados, no tendrían necesitad. Pero ya que el padre así desea, bueno.

Ana cansó de la convivencia. Robson a su lado no lo puedo negar: había tenido buena vida familiar. Pero la perdió por intransigencia. Volvió a usar de una costumbre que había nutrido en la adolescencia: lo gusto por la poesía. Sin medir las consecuencias, deseó dedicarse con todo su empeño.

Apegándose a los libros con tal voracidad, en los finales de semana, él encolerizó la esposa. Sin paseo, siquiera asistir al Faustão, ni fútbol, ni brega entre ellos, ni nada. Lectura, sólo.
Insuficiente los finales de semana, contaminó las noches, las madrugadas. Ella solitaria. Él leyendo y escribiendo. Fue la gota que colma el vaso. No tuviera nacido para eso. Así que él encerró un segundo volumen de poesías, Ana se marchó.

Robson envió los volúmenes para las casas editoras. Dos le rechazaran pronto. Otra, casi seis meses adelante para le volver una respuesta negativa. Las editoras son gentiles. Si recusan el material, alegan: nuestro programa de lanzamiento va indo lleno, y se queda comprometido por los próximos meses... Mismo sin interés en la publicación de lo original suyo, quedamos gratos por la preferencia. La ausencia de palabras explicitas que descalifican las poesías ha incentivado a su ego de escritor a persistir en el trabajo. Y allí vamos a verle a nutrir la esperanza que un día la suerte le muestre su sonrisa.

“La arte nace destituida de la ganancia. Si un día quedarme reconocido, muy bien”, es la opinión de Robson. Conservando esta convicción nuestro Don Quijote de las Letras Desvalorizadas dedicase de cuerpo y alma a su intento. Un martirio que, aquí entre nosotros, provee cierto placer al pobre desgraciado.

¿Qué importa la mujer, la tranquilidad? En el cerebro del inconformista hay una sustancia extraña. ¿Néctar de la confianza de la ilusión? Poco interesa. Lo que importa es que disputa lugar con la sangre, irrigando sueños y actitudes.


* Romancista, escribe en periodicos brasileños. contacto: ronaldo@ronaldoduran.com

** Traducción por Carlos Vargas, paraguayo, del original en portugués "Letras Desvalorizadas".

sábado, 1 de agosto de 2009

marcos brunini - psicologia evolucionista


POR QUE A IDADE DA PUBERDADE
TEM DIMINUÍDO NAS ÚLTIMAS DÉCADAS? III[1]

por Satoshi Kanazawa[2],



As meninas que crescem sem seus pais em casa tendem a entrar mais cedo na puberdade do que as meninas que crescem com seus pais possivelmente porque a ausência do pai é um indicador do grau de poligamia na sociedade. Porque as meninas que experimentam a puberdade cedo apresentam maior probabilidade de iniciar sua vida sexual e ficarem grávidas numa idade mais precoce, e de se tornarem sexualmente mais promíscuas ao longo da vida, a idade da menarca é um determinante importante para o resto de sua vida. Que outros fatores são influentes?

Aparte a ausência do pai, o risco e a incerteza no ambiente familiar de uma menina são associados geralmente com uma idade mais precoce da puberdade. Qualquer coisa que possa potencialmente conduzir à morte prematura de uma menina ainda nova, conforme já demonstrado, acelera sua maturação. Isto faz pleno sentido evolutivo: se alguém pode morrer a qualquer tempo, esse alguém deve começar a reproduzir logo a fim ter alguma possibilidade de deixar crianças e de conseguir o sucesso reprodutivo. Aqueles que vivem em ambientes arriscados e incertos não podem permitir-se gastar seu tempo amadurecendo ou adiando a reprodução. Esta é pelo menos parte da razão pela qual as meninas de famílias pobres amadurecem mais cedo e têm crianças em uma idade mais precoce.

Em famílias ocidentais contemporâneas, o nível de conflito e a tensão entre a menina e um dos pais (mãe ou pai) são usados frequentemente como um indicador do risco e da incerteza na família. Meninas que têm pais calorosos e que dão suporte alcançam a puberdade e têm filhos mais tarde do que as meninas cujos relacionamentos com pais são plenos de conflito e tensão. Entretanto, eu acredito que o risco e a incerteza ambientais como deixas para uma estratégia reprodutiva particular (conhecida como a estratégia de seleção r, que implica em amadurecimento precoce, reprodução de vários filhos, e não investimento pesado em nenhum deles) são causas completamente diferentes da menarca precoce do que é a ausência do pai como um indicador de poligamia; de outro modo, não se pode explicar porque todas as meninas em sociedades polígamas, na média, têm a experiência da puberdade mais cedo do que meninas em sociedades monógamas. (Agradecimentos a Jay Belsky, como de costume, por me indicar a literatura científica mais recente sobre o assunto).

Finalmente, antes que eu conclua esta série de posts, gostaria de responder a um comentário feito em um post anterior. Os leitores regulares deste blog sabem que eu tenho uma política de nunca responder os comentários dos leitores, porque, sinceramente, como os mesmos leitores também sabem, a maioria dos comentários não merece resposta. Entretanto, há um comentário particularmente perspicaz no primeiro post desta série que eu não resisto em responder.

Michael Perreault pergunta se as meninas que assistem a muitas famílias divorciadas na TV poderiam experimentar a puberdade mais cedo, afinal, porque no ambiente evolutivo não havia nenhuma imagem realista de outros seres humanos (como na TV e nos filmes), o cérebro humano tem dificuldade em distinguir caracteres da TV, que repetidamente encontra na TV (seus “amigos da TV"), dos amigos reais, ainda que trabalhos mais recentes sugiram que esta tendência possa estar em sua maior parte restrita às pessoas com inteligência geral mais baixa. Se as pessoas têm uma dificuldade implícita em separar a TV da realidade, então as meninas poderiam igualmente experimentar um adiantamento da puberdade (o que geralmente acontece em conseqüência de seus próprios pais terem se divorciado) assistindo a famílias divorciadas na TV?

Eu amo perguntas como esta, porque poderiam somente vir de alguém que compreende verdadeira e profundamente a psicologia evolucionista em geral e o Princípio da Savana em particular. Alguém que não compreende completamente a psicologia evolucionista nunca faria perguntas como esta. Ainda que seja bastante perspicaz e engenhosa a sugestão do Sr. Perreault, não penso que o Princípio da Savana funcione neste exemplo particular, por duas razões.

Primeiramente, eu creio que as famílias descritas nos programas de TV têm menor probabilidade de divórcio e de freqüentes situações de tensão e conflito do que as famílias americanas reais. É verdadeiro que, comparados a anos atrás, hoje cada vez mais os programas de TV apresentam famílias quebradas e reconstituídas. Mas eu penso que a proporção de famílias divorciadas é mais baixa na TV do que na vida real, e que nos programas de TV as famílias com tensão e conflitos severos são subrepresentadas. Tais famílias simplesmente não fornecem material para comédias.

Segundo, e mais importante, como eu menciono em post anterior, o mecanismo (bioquímico) aproximado mais provável pelo qual a ausência do pai provoca o adiantamento da são os feromônios transmitidos à menina pelos homens não relacionados à família (padrasto, o novo namorado da mãe, etc.). Se este for o caso, é muito pouco provável que simplesmente assistir a famílias divorciadas com um padrasto na TV possa provocar a antecipação da menarca em uma menina, mesmo que se seu cérebro implicitamente pense que ela está vivendo agora com um padrasto, isso porque os sinais da TV não carregam feromônios.




Pesquisa e tradução: Marcos Brunini (marcosbrunini@yahoo.com.br).



[1] Why has the age of puberty declined in recent decades? III, disponível em http://blogs.psychologytoday.com/blog/the-scientific-fundamentalist/200810/why-has-the-age-puberty-declined-in-recent-decades-ii, acessado em 04/02/2009.

[2] Satoshi Kanazawa, psicólogo evolucionista, leciona na London School of Economics and Political Science e é coautor (com Alan S. Miller) de Por Que Homens Jogam e Mulheres·Compram Sapatos - Como A Evolução Molda Nosso Comportamento. Rio de Janeiro: Prestigio Editorial. 2007.

alexandre mohor - poesia


REVOLUÇÃO, CONTESTAÇÃO*


Estavam todos ali,

tentando entrar,

dizendo que devia abrir.


E veio o poeta escrever

uma longa e profunda poesia

analisando o erro do dono da porta.

E veio o rebelde contestador

dar chutes, jogar pedras

e berrar incitando a multidão.

E veio o estudante

fazer um inteligente discurso

falando da democracia

num microfone instalado

por um outro, cidadão desconhecido.

E vieram o repórter e o fotógrafo

pegaram flagrantes do dono da porta

e fizeram uma longa crítica

e uma grande manchete arrasadora

para o dia seguinte.


E num dia

ouviu-se um barulho de chaves

do lado de dentro da porta.

Ela abriu.

Alguém saiu, sorriu e falou:

- Entrem. Vamos tomar um café.

E cada um então

virou as costas e foi para um lado,

procurando uma porta fechada,

sonhando com uma revolução.


Belo Horizonte / Setembro de 1979


* poeta.